segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Presente de Natal ...

Neste natal pedi para o Papai Noel...
algo grande demais...
Que não se pode comprar na loja,
nem embrulhar no papel.

Pedi o presente mais bonito do mundo!
O presente mais importante!
O mais valioso!
e maravilhoso!

Pedi um momento a mais nos seus braços,
pedi um beijo em seus "lábios de mel" ,
Pedi de volta o teu sorriso!

Na verdade pedi minha vida de volta,
minha alegria,
Pedi para o Papai Noel... o seu amor!

Você em mim!

Como eu te amo!
Nunca amei ninguém assim!
Acordo a noite procurando você,
amanheço pensando em você.

Todo o dia sonho acordado.
Esperando em cada rosto ver teu sorriso!
Em cada ônibus que passa relembro do nosso adeus!
E eu pedindo para ficar ao meu lado.

Estou sentindo muito sua falta.
Até quem não te conhece,
em meu rosto te reconhece!

A lua sem você não brilha!
O sol sem você não aquece!
Eu sem você nem sei mais quem sou!

Julgado e condenado a te amar mais e mais...

Muitos me julgam por causa do nosso amor,
chamam-me de louco!
chamam-me de idiota!
Chamo-me... de apaixonado!

Existem aqueles que riem de mim,
Também tem aqueles que sentem dó...
Outros até tripudiam sobre minha dor!
Eu... apenas respiro... o nosso amor!

Perguntaram-me se me arrependo...
Perguntaram-me se faria tudo de novo...
Respondo que faria quantas vezes fosse preciso!

Tentaram matar nosso amor!
Tentaram fabricar a minha morte!
Só conseguiram com tudo isso, fazer com que eu te amasse, mais e mais!

Wladimir Stern

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Girassol de ponteiros

Nada passa sem causar danos
Às paisagens mundanas das pescas
Nem sequer um corriqueiro ato
Mantém-se ileso ao mudar do vento

Num imenso girassol de ponteiros
As horas desprendem os laços
Como reatam o tempo as lembranças
Num só retrato, velhos e crianças
Compartilham dos mesmos passos

Diogo Poeta

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Paráfrase do amor! E da dor!

"Há uma pedra no caminho!"
Ela se chama dor!
"É ferida que dói e não se sente!"
Mas faz a cabeça perder!

"Saudades da infância querida!"
Pois em teus braços era um menino!
"Que seja eterno enquanto dure!"
No meu coração pelo menos ele durará para sempre!

"Olhos de ressaca e oblíquos!"
Eles me hipnotizaram como se fosse magia!
" Mas nos olhos mostrou quanto podia"
Arrebatar-me de amor!

"Não é maior o coração que a alma!"
Mas é maior o amor!
"A virgem dos lábios do mel!"
Inundou minh' alma de féu!

Wladimir Stern

Acabou!

Acabou ... a alegria!
Acabou ... o sorriso!
Acabou ... o sonho!
Mas não acabaram as lembranças!

Acabou ... o horizonte colorido!
Acabou ... a vontade!
Acabou ... o calor do seu corpo no meu!
Só não acabou meu desejo por você!

Acabou ... o amor próprio!
Acabou ... a vontade de acordar!
Acabou ... o toque de sua mão na minha!
Só não acabou a dor de te perder!

Acabou a paz!
Acabou minha felicidade!
Acabou a esperança!
Só não acabou o meu amor por você!

Wladimir Stern

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Muita atenção na hora de digitar

A linguagem na Internet já virou até tese de doutorado, mas lembrar sobre os cuidados que temos que ter ao digitarmos nunca é o bastante.

Certa vez enviei um e-mail para o diretor da empresa da qual fazia parte do quadro de funcionários com o seguinte conteúdo: "Esperamos mais pessoas nesta semana. Afinal, estamos no meio do processo de capitação de clientes."

Recebi a seguinte resposta: "É por isso que não temos clientes - no meio do processo de capitação - assim não vai sobrar ninguém! SUGIRO mudar para o processo de CAPTAÇÃO, urgentemente. (hshshshs)"

O que o dicionário "diz":

Capitar - taxar por cabeça.
Captar - receber alguma coisa de vários pontos para uma finalidade.

Segundo o dicionário eu estava "taxando" os clientes, coisa comum se a empresa fosse um banco. Entretanto, o ramo da companhia era outro, totalmente diferente.

Fica o alerta: cuidado ao digitar, isso pode custar seu emprego.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Novidade

Agora você visitante pode nos mandar seu texto para ser publicado no blog,
no canto superior esquerdo em "abrir mural de recados" mande seu texto ou mesmo para enviar mensagens e criticas ao nosso blog, esperamos seu contato para continuarmos a oferecer um pouco de arte para quem gosta .
um abraço a todos.

EPITÁFIO

Talvez um dia ao olhar para o alto e não ver mais o azul do céu oriental, pálido e saudoso, em que a voz do vento nas arestas fica monótona e decadente e enfraquece cada vez que à porta bater queixoso e tétrico, talvez quando das bandas do ocidente me faltarem ares, como chama a se apagar, crepúsculo inconseqüente tornar-me-ei. Deixarei a veste branca recortar a penumbra do horizonte vacilante e a onda invasora descer de suas alturas e lavar a pureza das almas.
Longe... inda mais longe, mais alto que os píncaros ou no pego, embebem-se os olhos na distância, somem, abismam, se perdem em um naufrágio celeste; Só e triste a bordo dos sonhos, segui com os olhos uma aventura indefinida, aí desvaneceram as esperanças e a “alma apegou-se a forma vacilante das montanhas – derradeiras atalaias dos arraiais da mocidade”.
Porém, em terras distantes, onde chegara com calor entusiasta, a força das ilusões, a idade ainda com o poder de lutar e as esperanças de alcançar vitória por Afrodite minha; volvem-se agora silenciosos, quebrantados esperando repouso em antigos devaneios.
Então frente a tristezas quando o manto negro cobre céus e solidão sobe com a brisa do oceano, lembro-me de ti. Porém insistia a tristeza ao lembrar que nada restaria daquela canção alvissareira, da alma reticente não mais iria retinir a voz que vivera e sentira, gemera e cantara. Logo, chega a hora de obumbrar-se sobre o vasto incêndio do crepúsculo e calar o belo sorriso efêmero.
Aí surge a pergunta:
- De que valeu lutar tanto?
Valeu, valeu muito, porquanto “as espumas que no mar justificam a flora sombria da tempestade, também reluzem como ouro e prata no dia de alegre e fogoso sol”.
Então o longe vira perto, a distância fica curta, a tristeza vira alegria e alegrias trazem os antônimos.
Agora espero que como aves que fogem do fatídico látego do frio, fuja de mim esta lágrima saudosa, e estas palavras levem lembranças de mim às vossas memórias.

Wal Lima

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Doce hálito que liberta
O perfume da Volúpia,
Que no seio de Psique, encerra
Suas dores de nupcias.
E uma cegueira repentina
No adormecer do dia,
Recebe de Heros, sua visita íntima,
Aí então se vai, no primeiro raio que ilumina.
Deixando a ira contemplar
Sai Vênus, com ciume violento,
Não sabendo se controlar.
Vence a alma ao desejo,
Vence a emoção a razão;
E selando, vai seu destino num sacrário beijo.

Wal Lima

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A dança dos devaneios nas noites
Calam. A alma no corpo
Sente pelas janelas as dores
E passam tempos sem conforto.
Mas ainda preso
A este corpo devasso
De puro desprezo,
Estou desistindo pelo cansaço,
Mas ainda as coréias
Não esqueço.
Tuas mãos não mais sinto,
Perco-me nas idéias,
Minha alma agora é só uma nebulosa
Que age como que por instinto
E gira com as forças do universo, prodigiosa.



Wal Lima

domingo, 31 de agosto de 2008

Salve-me !

A vida nos apronta surpresas...
Quando menos esperamos,
ela nos coloca em xeque!
Deixando-nos pasmos!

Brinca nos colocando de pileque,
Inebriados de paixão,
com medo da ilusão
o amor desprezas!

Oh! Salva-me ... com teu amor!
Salva-me com seus lábios,
Salva-me de salvar-me...
do meu mais puro amor!

Wladimir Stern

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

"Filha de Araquém"

Como és linda filha de Araquém!
Do mundo és a jóia mais bela.
O sol pede-te licença para brilhar!
A lua para a noite iluminar!

Meus olhos jamais viram mulher tão bela!
Meu corpo jamais sentiu calor tão confortante!
Meus lábios jamais tocaram lábios tão doces como os teus!
Meu coração jamais amou assim outro alguém!

Da natureza és o mais "bendito fruto"!
Dos céus és a estrela que mais brilha !
Das mulheres a mais desejada!

Quero reescrever sua história;
Fazer do final um recomeço.
Tu "Filha de Araquém" és o meu único e grande amor!

Wladimir Stern

Saudade!

Sinto um sentimento invadindo minh'alma;
Ele tem me carregado para lama.
A cada passo que dou, afundo mais.
Só porque não me queres mais.

O vazio toma conta...
O espaço que um dia era de amor e alegria,
agora é de dor e desilusão;
Luto para fugir deste luto!

Isto mesmo... é como se alguém querido...tivesse partido!
O sentimento de perda e de morte,
arranca do peito esse sentimento forte.

O amor que se confunde com a dor,
É o perfume sem a flor.
No peito hora amado, só restou a triste... saudade!

Wladimir Stern

terça-feira, 29 de julho de 2008

A morte do Sol...

Amanheceu mais um dia,
o sol ainda se esconde...
nas entranhas da noite ainda dorme,
mas mesmo assim o dia insiste em nascer!

O dia tenta arrancá-lo a fórceps,
ele resiste e insiste na sua reclusão,
recluso contesta a ordem da natureza,
não quer colocar sua face em mais um dia de incerteza.

A amiga Lua tenta convencê-lo...
sem êxito entristece...
pois vê o amigo em dor se perder.

Na verdade todos sabem que ele não quer mais brilhar...
pois a razão dele brilhar... hoje não quer mais seu brilho, nem seu calor!
a porta voz Estrela lamenta em informar ... que o sol acaba de morrer...
do que morreu? morreu ... morreu de amor!

Wladimir Stern

Sonho

Hoje sonhei com você,
tudo parecia tão real.
Eu podia sentir lhe em minha respiração,
nossos corações batiam em uníssono!

Nossas bocas uniam-se de forma instântanea,
nossos corpos procuravam-se de maneira espontânea,
nós nos amavámos,
e pra quê o mundo? Nós nos bastávamos!

No sonho não existia eu ou você,
exístiamos nós!
Não existia tempo...
pois nós éramos, passado, presente e futuro!

Acordei sem querer acordar!
Voltei a vida sem querer viver!
Prefiro o sonho...
Pois no sonho tenho te em meus braços... na vida não a tenho mais!!!

Wladimir Stern

terça-feira, 22 de julho de 2008

Esperança!!!

Quando para e fecho os olhos
sinto seus braços me abraçarem,
Ainda sinto o seu cheiro em meu corpo,
sua voz em meus ouvidos como se fosse música!

Cada lembrança me faz respirar,
cada respiro faz lembrar-me de ti!
Sua lembrança é meu alimento,
e deste alimento que revivo este sentimento!

Um sentimento maior que tudo,
um sentimento que não cabe dentro de mim...
e só aumenta a cada dia!

Sentimento involuntário que ainda nutre a esperança,
esperança doída como uma lança que perpassa o peito,
mas que ainda faz este coração bater, e a morte mais uma vez adia!

Wladimir Stern

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Otimista

Ser otimista é ter o sorriso frágil,
É Negar a inquietude
Com gestos de complacência
E sermões altos,
Não se vê a vida pelos olhos de um otimista.

Diogo Poeta

domingo, 20 de julho de 2008

Misteriosa...

Seu corpo é uma escultura viva,
Um culto ao prazer,
tributo a beleza,
altar do amor.

Seus seios são para mim um banquete,
sua boca um maná vindo dos céus,
os cabelos cortinas da minh'alma,
os olhos a luz de meus dias.

Seus braços meu único porto seguro,
suas pernas me engolem e me devoram,
sua língua uma espada de fogo,
seus pés mesmo me pisando, fazem-me delirar de prazer!

Perfeita é o seu sinonimo,
maravilhosa seu cognome,
amada é seu título,
misteriosa e seu nome e seu jeito de ser!

Wladimir Stern

domingo, 6 de julho de 2008

Nirvana...

Estou em meio ao Nirvana...
Sinto-me com a alma embebecida,
em um licor maravilhoso que sai de seus lábios,
e escorre por todo meu corpo!

Sinto o negrume da noite fria,
pois neste momento não estás em meu corpo,
quando chegavas para mim sempre era a aurora de um lindo dia,
mesmo que estivesse em meio a um dilúvio turvo!

Fecho os olhos e volto ao Nirvana,
pois em meus pensamentos sempre estás,
linda e faceira,
ascendendo em meu peito uma fogueira!

Neste Nirvana não tem espaço para dor,
só para o nosso amor!
Existe apenas nossos corpos nus,
entrelaçando-se loucamente em um transe louco e sobrenatural,
até acabarmos em um gozo infinito,
em que só persiste... o orgasmo de dois loucos apaixonados!

Wladimir Stern

terça-feira, 1 de julho de 2008

Volta...

Lembro dos seus olhos nos meus,
Procuro-te na multidão e não a vejo!
Busco em outras bocas o seus beijo,
nos seus braços os sonhos meus...

Na negra noite
lembro de teus cabelos negros!
na macia seda,
sinto a maciez de teu corpo!

No perfume da rosa,
pertima-me sentir teu cheiro!
Na água cristalina
sinto seu corpo sensualmente úmido!

Onde estás o amor da minha vida?
No meu coração sempre estás,
da minha mente nunca sai,
volta pra mim, volta... vai!

Wladimir Stern

Morte!

Morte por que és assim?
Chega sem avisar
e decreta o fim,
sem nem mesmo uma chance dar!

Morte quem és tu?
És o fim ou o inicio?
O novo tempo e o seu princípio
ou a eternidade sem fim? Quem és tu?

Morte por que és tão injusta?
Tira do amante sua mulher desejada,!
Da criança a mãe amada!
Tu que a tantos assusta...

Morte diga quem foi o ser vil que a criaste?
Que coração é este que deixa o mundo inteiro triste?
Tu és um produto desumano,
que só pode ter sido criado por alguém insano!

Já sei quem és tu...
Tu és a arrogância, és o mal personificado!
É a criação de um Deus embriagado!
Tu és morte, tu és Deus!

Wladimir Stern

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O cheiro do café

O cheiro do café, a mesa posta, o pão, a calmaria... Do outro lado destas paredes, um deserto sobre rodas perambula sem dono a emitir um zumbido junto à impressão de se tratar de um colante fino bem incômodo a cobrir as coisas, apertando-as a tal ponto de fazê-las escapar um som doído. Aqui dentro, com o café forte, o teto é limpo, estacionado e rígido, protetor combatente de diversos perigos entre eles os tantos inimagináveis.
Há acima da nossa cabeça (na forma de um teto) o monitoramento do ar quente feito por nosso pensamento, único formulador do ambiente que vem de fora pro âmago tal qual ocorre com um balão de festa que se expande e depois cria um novo caminho gravitacional quando o soltam. Do balão vistoso, não se pode querer a permanência do corpo como uma forma imutável, tanto que se assim fosse, não haveria a real beleza do céu azul que se descolore, à medida que o sol desce avermelhando a tenda terrestre.
O cheiro do café desperta! Embora não se acorde com freqüência nos dias de hoje, o seu aroma negro é sólido, é um aroma maciço como se fosse um carro em alta velocidade que entra pelas narinas rasgando. O café é uno em sua solidez e ainda serve de proteção contra o mau sono. O café é um ser divino que advém da matéria e antes de ser digerido deveriam fazer-lhe reverencias...
Gosto do meu café puro e só reverencio o aroma do meu café assim que o coloco na xícara, assim que o tenho pronto para o consumo, mas ele tem que estar puro! Bem puro! Até mesmo uma pintada de açúcar pode estragá-lo, desvirtuando-o. Assim, prefiro senti-lo inteiro em sua personalidade de café, que é amarga e forte.

Diogo Poeta

Ser vestido

Ser verdadeiro para vencer a verdade, porém, acima disso, ser verdadeiro para vencer o orgulho. Nós, escravos das determinações da massa, alimentamos fantasias convenientes, no começo, parece que crescemos enquanto nos vestem os outros, com o passar do tempo, perdemos a visão do nosso corpo, e as fantasias sobrepostas nos confundem de tal maneira que nos procuramos nelas, no meio dos tecidos volumosos. Depois, nós nos vemos dependentes pelo motivo de imaginarmos a possível nudez que viria se faltasse cada peça tão estimada, e ficamos receosos, claro, pois revelar nossas intimidades além da vergonha certa que se instalaria , provocar-nos-ia uma completa falta de opções no vestuário.
Não se despem nem de frente ao espelho do quarto as pessoas, as pessoas não despem as pessoas delas nunca, confundimos nossas ações em ações alheias não por força de uma identificação normal ou sadia e sim por força de um desejo de figuração que vai além das normalidades presentes num processo de individuação. Nós nos confundimos graças à devaneios que nos colocam em outra pele, em outro vestido, em outra posição social, em outro sexo, em outro amor, em outra esquina que parece dar para algum sentido real, para alguma resposta que traz felicidades frescas como as uvas roxas numa fruteira de Natal.


Diogo Poeta

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Novos Tempos!

A aurora já vem raiando,
sinto os ventos de novos tempos,
aquilo que um dia foi presente,
hoje está próximo de virar passado.

Nesta nova era
espero um novo amor,
que seja o que dele se espera...
felicidade, cumplicidade e fidelidade!

Um amor forte e decidido,
que não fraqueje,
que não exite!

Que ame com todos os sentidos,
com todos os poros,
que beije-me com a doçura do mel,
e me arrebate com a força de um tufão!

Um amor que não desista dos nossos sonhos,
que lute até o último suspiro,
e que se tiver que morrer por ele,
que morra, pois morrer por um grande amor,
que vale a pena, não é morrer!
é viver para sempre!
é se tornar eterno!
é ser divino e insuperável!

Wladimir Stern

domingo, 8 de junho de 2008

Quando...

Quando te conheci
quase de mim esqueci,
Hoje não estás mais ao meu lado,
e de mim não lembra mais.

Quando comecei a te amar,
voltei a sonhar,
hoje ainda te amo,
mas os sonhos viraram pesadelos.

Quando te beijava
a minha mente viajava,
hoje não mais te beijo,
mas continuo a viajar em lembranças de nossos momentos!

Tenho te procurado para ver se me acho,
Tenho te amado a distância para tentar sonhar,
sonho e procuro seu beijo...
e em cada rosto e lábio na rua desesperadamente ... busco... você!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Minha tristeza

Depois de ler os pensamentos do criador do Eterno Retorno

Minha tristeza é um estado de graça
Nela vem à tona o que realmente vale à pena se entristecer,
Sou feliz por ter tanta tristeza
Sou feliz por ter as tantas marcas que carrego
Lágrimas que jorram verdadeiramente
Se um dia caminhei em terras estranhas e colhi frutos perigosos
Bendito dia e nada mais!
Não posso reclamar por viver a risco,
Não é de sempre que trago essa convicção
Precisei abrir os olhos com a mão fria
E responder de maneira diferente ao sol das manhãs,
Tive que aprender a agradecer porradas para revidá-las gentilmente
Espalhar a tristeza de maneira devassa, publicar a melancolia na primeira página
É e sempre será a alma do negócio,
Mas a alma do negócio muda de estratégia para continuar a dar vida ao conteúdo
Às vezes quero explodir pelo o teto e ferir a garganta,
Mas escolho o cochicho bem baixinho, bem devagar a ponto de acordar os sentidos internos
“Atiçá-los” esse é o segredo mais explícito que conheço e dar certo,
“atiça, atiça! Faça o que querem e não excitarão em lhe dar uma recompensa”
Dizia um amigo...
Há uma tristeza desconfortável quando penso nos outros, a compaixão atrapalha,
Ela se alastra como fogo em palha,
Somos palha para esse fogo,
Não passamos de fogo para as palhas alheias quando sentimos pena,
Hoje, sinto um foguear em minha direção,
Nada me atinge,
Carrego a certeza maior
De que sou palha diferenciada.

Diogo Poeta

Assentamento

Quando eu morrer,
que me enterrem
nabeira do chapadão--
contente com minha terra
cansado de tanta guerra
crescido de coraçãoTôo(apud Guimarães Rosa)

Zanza daqui
Zanza pra acolá
Fim de feira, periferia afora
A cidade não mora mais em mim
Francisco, Serafim
Vamos embora

Ver o capim
Ver o baobá
Vamos ver a campina quando flora
A piracema, rios contravim
Binho, Bel, Bia, Quim
Vamos embora

Quando eu morrer
Cansado de guerra
Morro de bem
Com a minha terra:

Cana, caqui
Inhame, abóbora
Onde só vento se semeava outrora
Amplidão, nação, sertão sem fim
Ó Manuel, Miguilim
Vamos embora

Chico Buarque

domingo, 1 de junho de 2008

Triste tarde de adeus!

Naquela triste tarde de Março,
quando fechou aquela porta de aço,
fechou também meu coração,
tentei mais uma vez chamar sua atenção...

Ainda espero aquele elevador se abrir,
e de lá surgir meu amor a sorrir,
dizendo-me que tudo não passou de um pesadelo,
e que seu corpo no meu vou vê-lo.

Mostra-me que "o sonho não acabou",
e que seremos pra sempre um do outro,
nada mais irá nos separar,
e vou viver só para te amar.

Vem me faz de novo feliz,
faça eu acreditar no amanhã,
faça eu sentir o prazer de seus beijos,
faça de novo eu ser ... seu!

Wladimir Stern

Sou Eterno!

Como é doce o sabor dos teus lábios!
sinto-me como se fosse a abelha sugando o mel.
Sua pele é como a seda, que macia desliza por um corpo real,
fazendo-me o mais nobre dos mortais!

Deito-me contigo para ganhar a vida,
que a cada momento de prazer ao seu lado,
ganha o paraíso...
como eterna recompensa!

Te amar é me tornar eterno,
porque nem o tempo,
nem a morte,
nem a saudade,
nem a solidão,
farão eu meu esquecer...
daquela que me fez ser...
o homem mais feliz do mundo,
pois mesmo que tenha sido por pouco tempo...
eu não fui um homem qualquer,
eu fui... e sempre serei , o seu, só seu homem!

Wladimir Stern

domingo, 25 de maio de 2008

Sonho do prazer!

Sonhei com teu corpo,
nu e belo,
Passeava com minhas mãos por ele,
o prazer tomava conta de mim!

A cada toque um gemido,
a cada gemido... um sorriso...
a cada sorriso um alarido...
a cada alarido um aviso...

Avisava-me que meus braços te queriam,
que minha boca te bebia,
que meu coração te sentia,
e que meu corpo de pertencia!

Acordei com teu gosto em minha boca,
com teu cheiro em meu corpo,
sentindo teus seios deslizando em meu peito,
e me deixando com uma vontade imensa,
de te amar de forma intensa,
de sentir de novo o prazer do seu corpo,
nem que seja só uma vez... pelo menos mais uma vez!

Volta

O sol hoje não nasceu,
a lua recusou-se a ir embora,
o chão quase tremeu...
Pois você não apareceu e demora!

As flores não perfumam mais,
as folhas das árvores caem,
de nossos corpos não se ouvem mais nem ais...
nossas emoções nada valem!

Volta para o sol nascer!
Chegue em meus braços para a lua ir embora!
Beije-me, não para o chão, mas para meu corpo tremer!

Traga-me de volta seu perfume...
e as flores de novo perfumarão!
Caia em meus braços...
para as folhas não mais caírem!

Venha unir seu corpo ao meu...
para que o mundo ouça nossos gemidos de prazer,
e para que nossas emoções tenham o valor do maior dos tesouros...
o maior de todos, chamado... amor!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Parabéns

Completamos hoje dia 20/01/2008, 500 visitas em nosso blog.
Obrigado a todos colaboradores e leitores, estamos procurando melhorar e em breve este blog se tornará uma página web completa com muito mais conteúdo.
obrigado.

domingo, 18 de maio de 2008

Saudade

Hoje sinto no seu espaço...
Um frio abraço!
Que me aperta e sufoca,
deixando uma tristeza louca.

De quem será este abraço que não é o seu?
Aperta-me como um dia já me apertou,
Machuca-me como sua ausência!
Faz sangrar o peito meu!

Por quanto tempo ainda isso sentirei?
Quando passará a dor?
Carrego-te para onde for!
Até quando suportarei?

No lugar do amor...
sobrou apenas dor!
Em vez de carinho e felicidade...
só sobrou saudade!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Despir-se

Da última vez em que meus olhos se despiram
O vento lhe beijava a saia rente a coxa
Como para adivinhar a força dos seus quadris

Da última vez em que meus olhos se despiram
O seu andar era frágil como um pingo de neve
Porém quente como uma cinza fugidia

Da última vez em que meus olhos se despiram
Ela não era mais do que uma mulher
Ou deusa esculpida em bronze

Da última vez em que meus olhos se despiram
Ela os despiu também como se deles ela saísse
Mordendo-os com a minha boca num canibalismo ardente

Diogo Poeta

domingo, 11 de maio de 2008

Coração

Voa meu coração...
Voa como se fosse uma oração...
De um coração aflito.

Grite coração,
Conte sua emoção,
Chore sua dor,
Voe alto como um condor.

Fale bem alto,
Fale do seu amor,
Mostre sua carne em flor.

Diga aos quatro cantos...
Diga aos sábios...
Diga aos santos...

Expresse a ela seus sentimentos,
seus tristes pensamentos...
mas antes de tudo coração...
ame-a, deseje-a, conquiste-a...
Nem que seja para depois morrer...
morrer de amor!!!

Por que?

Por que te amo?
Te amo porque deste sentido a minha vida,
Te amo porque me fizeste sonhar,
Te amo porque és única.

Por que me apaixonei ?
Porque ninguém sorri como você,
Porque ninguém me toca como você,
Porque ninguém é como você.

Por que não vivo sem você?
Não vivo porque és o ar que respiro,
Não vivo porque és o meu sol, meu alimento,
Minha alma e essência.

Por que te quero?
Porque não aprendi a viver sem você,
Porque não quero aprender,
Porque não faz sentido a vida ...

Por que ...? Por que...? Por que...?
Porque todas as minhas respostas
estão em você... meu amor!

Wladimir Stern

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Guardo tua figura em meios cerebrais
Talvez para desejos futuros.
Homens têm pensamentos impuros
Mas certamente quem tem mais?
Nesta página ainda não li as letras garrafais,
Acho que falam das vontades secretas
Ou do olhar pelas arestas,
Que tranqüilo sei que não esquecerá jamais.
Ainda sim sinto a rigidez de teus seios,
Daqueles momentos nunca esqueço
De sua parte, volúpia e desejo
E o prazer íntimo nos meios.
Depois a consciência do coração
Luz do arrependimento que inflama,
A alma mergulha na lama,
Pior que o verme na putrefação.

domingo, 4 de maio de 2008

In Memorian

Fecho os olhos e vejo teu sorriso,
Sinto em meus lábios o seu beijar...
em minh'alma carrego o amar!

A brisa toca meu rosto...
e me faz lembrar...
do nosso caminhar ...
antes lado a lado, hoje em sentido oposto...

Quando ouvis a " Catedral"
ainda lembras por quem os "sinos dobram" ...?
quando escutas minha voz a cantar...
ainda lembras por quem as notas tocam...?

Cada amanhecer sinto sua falta...
as minhas camisas ainda te esperam ...
as minhas mãos ainda procuram as suas...
meus braços os seus abraços...

Viver para mim se resume a recordar...
Acordar é sonhar...
Desejar é te olhar...
respirar é te amar!

Wladimir Stern

Cinco Sentidos

Que perfume é este no ar... ?
Será o cheiro do meu amor?
ou o simples odor de amar?

Que maciez é esta que estou a sentir... ?
Será que é a pele do meu amor?
ou a maciez do seu tocar?

Que sabor delicioso é este em minha boca... ?
Será que é o beijo do meu amor?
ou o simples desejo de te beijar?

Que visão maravilhosa é esta que meus olhos estão a ver... ?
Será que é o corpo da minha amada?
Ou a simples miragem de mais uma vez te olhar?

Que música harmoniosa é esta que estou a ouvir...?
Será que é a voz do meu amor?
ou o meu desejo de ouvir-te mais uma vez?

Já sei ... qual é este perfume...
Já sei ... que maciez é esta...
Já sei que sabor é este...
Já sei... qual é esta visão...
Já sei...qual é esta música...
Já sei , pois pra mim você é tudo e tudo é você!

Eu sei...

Wladimir Stern

domingo, 27 de abril de 2008

"São Paulo"

Acordo ao som de buzina...
Almoço cheirando gasolina...
Ando a cem por hora...
Amo nesta cidade sem demora...

Alguns a odeiam...
Outros, como eu, a amam!
Muitos a acham um manicômio...
Eu a contrai em matrimônio!

Isto mesmo!!, casei com São Paulo!
É o meu eterno amor!
A mais bela flor!

Defendo-te sempre minha São Paulo.
Pra mim tu és "a virgem dos lábios de mel"
Um pedacinho do meu céu!


quinta-feira, 24 de abril de 2008

Quando Vier a Primavera

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme

Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria E a Primavera era depois de amanhã,

Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro

Pastor do Monte

Pastor do monte, tão longe de mim com as tuas ovelhas
Que felicidade é essa que pareces ter — a tua ou a minha?
A paz que sinto quando te vejo, pertence-me, ou pertence-te?
Não, nem a ti nem a mim, pastor.
Pertence só à felicidade e à paz.
Nem tu a tens, porque não sabes que a tens.
Nem eu a tenho, porque sei que a tenho.
Ela é ela só, e cai sobre nós como o sol,
Que te bate nas costas e te aquece,
e tu pensas noutra cousa indiferentemente,
E me bate na cara e me ofusca. e eu só penso no sol.

Alberto Caeiro

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Sou eu

Eu sou vitória! O vento não me apagou a chama
E as fossas fervidas no tempo
Não me terão em cinzas
Nem a terra me terá como adubo
Saí da minha própria fôrma
Utilizei do meu próprio fermento
Nasci do meu ventre já sabido
E quando chegares a ver fecharem-se as cortinas,
Ventre trancado num retrocesso de pedra,
Fui eu!


Diogo Poeta

Como a vida de qualquer coisa

É a minha vontade particular de ser-me em particular,
A quem vão meus versos?
Este borrão de tinta manobrado é o meu polegar direito que me diz?
Para qual lugar levei todo o leite materno de minha mãe?
São de espasmos fortes e frágeis as minhas saudades
Como a vida de qualquer coisa,
São batidas de pernas e braços num mar sem fundo
Tragam-me minha cor!
Tragam-me o preto e o branco!
É de espasmos fortes e frágeis a longitude da reta,
Da certeza, de toda a merda que há no mundo
A enorme vontade de ser-me em particular algo para mim mesmo
É o que mais me fede, de longe é a chaga do meu suor,
Cada esperança minha de encontrar-me aqui, dói.


Diogo Poeta

sábado, 22 de março de 2008

Guimarães Rosa

Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco.
Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície, são muito vivazes e claros.
Mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como o sofrimento dos homens.

Guimarães Rosa

domingo, 9 de março de 2008

Nesta morada de concreto

Nesta morada de concreto, figura o toque leve do tempo como se ela tivesse sido na idade de seu princípio, um grão. Como se o céu a regasse com o igual imenso cuidado que derrama, nas folhas secas, vida.
Assim, respeito a minha morada, a sua face que a vejo rosada em idéias de sangue quente a percorrê-la, um Deus que me conforta e me protege do frio e das trivialidades ou ao menos deveria.
É numa espera constante que repito as mentiras em meu mais íntimo segredo, falta-me vigor, pois me falta entusiasmo, um significado que valha a esperança diluída, um significado tão maior quanto Deus, embora não haja significado em “Deus” que me traga contentamento.
Peço, apenas, mais palavras no dicionário do mundo, mais competição por espaço entre os vizinhos, flores pedintes por mais desejo de sol, problemas que livro nenhum de auto-ajuda possa ensaiar. Mas o certo seria clamar por um significante solto num pasto, um só, livre de que lhe venha um indivíduo a roubar-lhe uma costela, fazendo desse pobre diabo um incansável ser sem par.
Desejei uma só flor no mundo e que houvesse uma só flor no mundo, desejei que não houvesse pluralidade, desejei ter tudo a minha frente ou uma boa parte. Desejei como apenas uma criança é capaz de querer, quis só uma visão existente e, sonhando desperto, num breve espaço, não vi uma verdade a não ser a minha a se perpetuar nas coisas.

Diogo Poeta

quinta-feira, 6 de março de 2008

Escadaria para o paraíso

Há uma senhora que acredita
Que tudo o que brilha é ouro
E ela está comprando uma escadaria para o paraíso
Quando ela chega lá ela descobre
Que se as lojas estiverem todas fechadas
Com apenas uma palavra ela consegue o que veio buscar
E ela está comprando uma escadaria para o paraíso
Há um cartaz na paredeMas ela quer ter certeza
Porque você sabe que às vezes as palavras
Têm duplo sentido
Em uma árvore a beira do riacho
Há um rouxinol que canta
Às vezes todos os nossos esforços são em vão
Isto me faz pensarIsto me faz pensar
Há algo que sintoQuando olho para o oeste
E meu espírito chora para partir
Em meus pensamentos tenho visto
Anéis de fumaça atravessando as árvores
E as vozes daqueles que ficam parados olhando
Isto me faz pensar
Isto realmente me faz pensar
E um sussurro avisa que é cedo
Se todos entoarmos a canção
O flautista nos levará à razão
E um novo dia irá nascer
Para aqueles que suportarem
E a floresta irá ecoar gargalhadas
Se há um alvoroço em sua horta
Não fique assustada
É apenas limpeza de primaveril da rainha de maio
Sim, há dois caminhos que você pode seguir
Mas na longa estrada
Há sempre tempo de mudar o caminho que você segue
E isso me faz pensar
Sua cabeça lateja e não vai parar
Caso você não saiba
O flautista te chama para se juntar a ele
Querida senhora, pode ouvir o vento soprar?
E você sabe
Sua escadaria repousa no vento sussurrante
E enquanto corremos soltos pela estrada
Nossas sombras são mais altas que nossas almas
Lá caminha uma senhora que todos conhecemos
Que brilha luz branca e quer mostrar
Como tudo ainda vira ouro
E se você ouvir com atenção
Ao menos a canção irá chegar a você
Quando todos são um e um é o todo
Ser uma rocha e não rolar.


Led Zeppelin
As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


do mestre Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 4 de março de 2008

Teste.

Veja nesse teste como você entendeu este assunto.

01. Fui ___ escola.
02. Não me refiro ___ secretária, mas ao secretário.
03. Os guardas ficaram ___ distância.
04. Os guardas ficaram ___ distância de cem metros.
05. Creusa gosta de andar ___ cavalo.
06. Não entregue isto ___ ninguém.
07. Ontem fui ___ Santos; estou cansado, hoje não vou ___ aula.
08. Não vou ___ Brasília, vou ___ Bahia, ___ essa nossa encantadora Bahia.

E não esqueça comente sobre esta postagem ok.

CRASE

Em uma conversa com um amigo um dia desses sobre crase percebi algumas dúvidas
por parte deste, achei interessante então colocar aqui este assunto, espero que ajude
a quem tem as mesmas dúvidas.

Temos que ter em mente que crase e acento são conceitos distintos; acento
grave (`) é o sinal que indica a fusão de dois aa, ou seja, é o acento indicador da
crase, está por sua vez é o fenômeno que causa a fusão de sons idênticos que podem
ocorrer de duas formas :
* combinação da preposição a com o artigo definido ( a , as )
* combinação da preposição a com pronome demonstrativo
( aquele , aquela , aquilo )
I-) CASOS OBRIGATÓRIOS DE CRASE
) Antes de substantivos femininos que exigem artigo, caso o termo
regente exija preposição .
Ex.: Devemos obedecer às leis de trânsito .
Vou à cidade hoje à tarde .
DICA : Troca-se um substantivo feminino por um substantivo
masculino ,verificando-se a possibilidade da troca de a por ao .
) Com os pronomes demonstrativos aquele, aquela, aquilo, desde
que o termo regente exija o emprego da preposição a .
Ex.: Fui àquele cinema ontem.
Procure dirigir-se àquela farmácia .
) Com os pronomes a , as quando demonstrativos representando
aquela ou aquelas , com o termo regente exigindo preposição .
Ex.: Esta cena é igual à que vi ontem .
Estas casas são iguais às que vi ontem.
) Antes dos pronomes relativo a qual ou as quais , com o termo
regente exigindo preposição .
Ex.: Esta é a loja à qual me referi .
São as inundações às quais fiz alusão ontem .
) Na indicação de horas , antes de seus respectivos numerais .
Ex.: Você veio às dez horas das escola .
Chegamos da excursão às 19 horas .
) Nas locuções adverbiais constituídas por palavras femininas .
Ex.: Sentiu-se à vontade para dirigir o carro .
Ás vezes íamos ao cinema .
) Nas locuções prepositivas formadas por palavras femininas .
Ex.: Vivemos à custa de seu tio .
Era bonito o entardecer à beira da praia .
) Nas locuções conjuntivas : à medida que , à proporção que .
Ex.: Meu desespero aumenta á medida que o tempo passa .
A saudade crescia à proporção que chegavam as cartas .
) Antes de palavras masculinas ou femininas , com a omissão da palavra
moda ou maneira .
Ex.: O aluno fez uma redação à Machado de Assis .
Nós gostamos de bifes à milanesa .
10°) Antes de nomes de lugares com modificador .
Ex.: Voltarei à Ribeirão Preto das belas garotas .
Devo voltar à bela Roma amanhã .
DICA : Em referência a nomes de lugares , oriente-se assim : quem vai
a e volta da crase há ; quem vai a e volta de não há crase .
II-) CASOS PROIBITIVOS DE CRASE.
) Antes de substantivos masculinos .
Ex.: Nós gostamos de andar a cavalo .
Sua camisa está cheirando a suor .
) Antes de verbos .
Ex.: Prefiro morrer a ver isso acontecer .
Estamos dispostos a resolver o caso .
) Antes de todos os pronomes que não admitem artigo .
Ex.: Dei a esta moça o melhor presente .
Dirijo-me a Vossa Excelência com respeito .
Obs.: Os pronomes de tratamento senhora e senhorita constituem
exceção por admitir artigo.
Ex.: Peço à senhora que fique tranqüila .
) Antes de palavras no plural que não são definidas pelo artigo .
Ex.: O Prefeito não dá ouvidos a reclamações .
Eles discutem a portas fechadas .
) Nas locuções adverbiais formadas por palavras femininas repetidas .
Ex.: Gota a gota a água cairá do balde .
Os ladrões encontravam-se cara com a polícia .
) Na expressão a distância .
Ex.: Os pais observam os filhos a distância .
Aquela escola mantém curso supletivo a distância .
Obs.: Se a expressão for determinada , a crase será obrigatória .
Ex.: O guarda olhou-nos à distância de vinte metros .
) Antes da palavra casa quando indica residência própria de quem
fala ou da pessoa a quem se faz referência .
Ex.: Chegaram a casa e não disseram nada .
Não fui a casa hoje nem para almoçar .
Obs.: Se a palavra casa aparece com modificador , usa-se a crase .
Ex.: Márcia voltou à casa de mãe para buscar dinheiro .
) Antes da palavra terra quando antônima de bordo .
Ex.: Os marujos ainda não vieram a terra .
As naus já voltaram a terra .
) Antes do artigo indefinido uma .
Ex.: Entreguei o documento a uma senhora .
Nós devolvemos o formulário a uma funcionária da secretaria .
10°) Antes de nomes de lugares .
Ex.: Nós iremos a Ribeirão Preto .
Chegamos a Roma cedo .
11°) Antes de numerais usados indeterminadamente .
Ex.: Ela nasceu a 14 de abril de 1961 .
O número de carros acidentados chegou a duzentos .
12°) Antes da palavra Dona .
Ex.: Entreguei o livro a Dona Neusa .
Não conte isso a Dona Cláudia .
III-) CASOS FACULTATIVOS DE CRASE.
) Antes de pronomes possessivos femininos .
Ex.: Não me referi a ( à ) sua capacidade .
Ofereçam um bom salário a ( à ) nossa funcionária .
) Antes de nomes próprios femininos referentes a pessoas .
Ex.: Refiro-me a ( à ) Cíntia .
Dei isto a ( à ) Denise .
) Com a locução até a .
Ex.: Vou até a ( à ) cidade mais tarde .
Fui até a ( à ) farmácia , mas volto logo .
) Antes destes nomes próprios de lugares : Europa, Ásia, África, França,
Inglaterra, Espanha , Holanda , Escócia , Flandres .
Ex.: Levei a ( à ) França todas as minhas ambições .
Fui a ( à ) Europa no ano passado .

sábado, 1 de março de 2008

Perdas poéticas

Perco, em média, três poemas por semana
por desatenção e desmazelo.
Ainda há pouco um solicitou-me a atenção
e perdulário fingi não vê-lo.

Ah, o que perco por soberba
o que perco talvez por não aceitar
o que eu mesmo me ofereço.

Os que me vêem passar
me pensam rico, no entanto,
o que perdi não tinha preço.


Affonso Romano de Sant'Anna

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Não confunda...

“ NÃO CONFUNDA – GAFES DA LÍNGUA PORTUGUESA “

01-) A / HÁ
A – é uma preposição e se usa quando não existe possibilidade da substituição por faz .
Ex.: Daqui a pouco chegaremos a Guarulhos .
Estávamos a poucos metros de nossos amigos .
HÁ – é uma forma verbal e facilmente pode ser substituída por faz .
Ex.: Não a vejo há dez dias .
Há uns cinqüenta anos isso era moda .

02-) ACERCA DE / CERCA DE / HÁ CERCA DE
ACERCA DE – é uma locução sinônima de a respeito de , sobre .
Ex.: Muita gente conversa hoje acerca de política e futebol .
CERCA DE – é uma locução sinônima de aproximadamente , por volta de .
Ex.: Quando nós temos cerca de quinze anos , conversamos muito com os amigos .
HÁ CERCA DE – forma equivalente a faz .
Ex.: Pessoas puras não vêem televisão há cerca de cinco anos ...

03-) ACIMA – A CIMA – EM CIMA
ACIMA – usa-se em todos os casos , exceto em oposição a baixo .
Ex.: A explicação acima é muito boa .
A CIMA – usa-se ao lado da palavra baixo .
Ex.: Ele me olhou de baixo a cima .
EM CIMA – é uma forma antônima de embaixo .
Ex.: O livro está em cima da mesa .

04-) AFIM DE / A FIM DE
AFIM DE – significa ter afinidade , parentesco ou semelhança .
Ex.: O italiano é um idioma afim do português .
A FIM DE – é uma locução que equivale a para .
Ex.: Estude a fim de vencer na vida .

05-) AFORA / A FORA
AFORA – usa-se em todos os casos , exceto em oposição a dentro .
Ex.: Afora meus amigos , todos aqui são meus inimigos .
A FORA – usa-se acompanhando a palavra dentro .
Ex.: Olhando-se de dentro a fora dava a impressão de que chovia .

06-) AO ENCONTRO DE / DE ENCONTRO A
AO ENCONTRO DE – indica situação favorável , conformidade de idéias .
Ex.: O aumento de salários vem ao encontro de nossas dificuldades .
DE ENCONTRO A – sempre dá idéia de contrariedade , de oposição , de choque .
Ex.: O aumento de horas de trabalho vem de encontro a todos os funcionários .

07-) AO INVÉS DE / EM VEZ DE
AO INVÉS DE – dá idéia de oposição , de situação antônima , contrária .
Ex.: O dólar , ao invés de baixar , sempre sobe .
EM VEZ DE – é uma idéia de simples substituição .
Ex.: Nós , em vez de irmos ao teatro , fomos ao cinema .

08-) A PAR / AO PAR
A PAR – significa estar ciente de alguma coisa .
Ex.: Quem está a par de tudo , sempre está ciente de tudo .
AO PAR – é de acordo com a convenção legal , com tratamento puramente comercial .
Ex.: O câmbio está ao par do dólar e ao par do euro .

09-) A PRINCÍPIO / EM PRINCÍPIO
A PRINCÍPIO – significa inicialmente , no começo .
Ex.: Todo casamento é , a princípio , uma verdadeira maravilha .
EM PRINCÍPIO – significa em termos , em resumo , em geral .
Ex.: Em princípio , todos serão convocados para prestar depoimento naquele caso .

10-) À-TOA / À TOA
À-TOA – é uma locução adjetiva e tem sempre quatro significados :
- de má qualidade
- insignificante
- fútil , superficial
- sem caráter , ordinário
Ex.: Ele comprou o carro por uma quantia à-toa .
À TOA – é uma locução adverbial que tem dois significados :
- em vão
- sem ocupação
Ex.: Não gosto de ficar à toa .

11-) BEM-VINDO / BENVINDO
BEM-VINDO – quer dizer bem recebido , quando se chega .
Ex.: Seja bem-vindo a nossa cidade .

BENVINDO – é um nome próprio masculino .
Ex.: Benvindo freqüentava a nossa casa nas férias .

12-) COPO D’ ÁGUA / COPO COM ÁGUA
COPO D’ ÁGUA – é o copo cheio de água .
Ex.: Quem está com muita sede pede sempre um copo d’ água .
COPO COM ÁGUA – é o copo com alguma água .
Ex.: Para poder tomar o meu remédio , sempre uso um copo com água .

13-) CORPO-A-CORPO / CORPO A CORPO
CORPO-A-CORPO – é uma luta corporal , luta de corpo a corpo .
Ex.: O soldado francês é ótimo no corpo-a-corpo .
CORPO A CORPO – é uma expressão que indica o modo como se luta ou se age .
Ex.: Os soldados lutavam corpo a corpo .

14-) DEBAIXO / DE BAIXO
DEBAIXO – significa em plano inferior e também por baixo , em condição inferior .
Ex.: Retirei o livro debaixo , e a pilha desmoronou .
Aquele indigente dormiu debaixo da ponte .
DE BAIXO – usa-se nos seguintes casos :
- em oposição a de cima
- isoladamente
- para expressar lugar de onde parte algo
- por inferior
Ex.: Olhei-a de baixo a cima .
Um porão fica sempre na parte de baixo da casa .

15-) DETRÁS / DE TRÁS
DETRÁS – é um adjetivo e significa traseiro , posterior.
Ex.: Meu amigo sempre gostou de sentar no banco detrás .
DETRÁS - é um advérbio e significa na parte posterior ou oposta à principal .
Ex.: Ela me olhou fixamente detrás .

16-) DIA-A-DIA / DIA A DIA
DIA-A-DIA – é diário , cotidiano .
Ex.: É duro o nosso dia-a-dia , trabalhando de sol a sol .
DIA A DIA – é diariamente .
Ex.: Dia a dia trabalhávamos sem cessar .


17-) EM CIMA / ENCIMA
EM CIMA – é antônimo de embaixo .
Ex.: Há políticos que vivem em cima do muro .
ENCIMA – é forma verbal de encimar ( estar sobre , rematar )
Ex.: Uma cereja bem vermelhinha encima o chantili com morangos .

18-) ESPECTADOR / EXPECTADOR
ESPECTADOR – é aquele que vê qualquer ato,o que assiste a qualquer espetáculo .
Ex.: No teatro havia duzentos espectadores .
EXPECTADOR – é aquele que tem expectativa , que tem esperança .
Ex.: O brasileiro é um eterno expectador de melhores dias .

19-) FIM-DE-SEMANA / FIM DE SEMANA
FIM-DE-SEMANA – é lazer , descanso merecido .
Ex.: Há muito tempo não tenho um fim-de-semana .
FIM DE SEMANA – é final de semana .
Ex.: Há muito tempo não vou ao clube a que sempre ia nos fins de semana .

20-) FURTAR / ROUBAR
FURTAR – é tomar e reter os bens de outrem , sem que este o saiba .
Ex.: Furtaram o carro daquele homem quando ele estava no supermercado .
ROUBAR – é tomar os bens de alguém à vista da vítima , ou com violência .
Ex.: Quando ele parou no farol , teve o seu carro roubado por duas pessoas .

21-) INCIPIENTE / INSIPIENTE
INCIPIENTE – é inexperiente , iniciante .
Ex.: Tratava-se de um médico incipiente .
INSIPIENTE – é ignorante , insensato .
Ex.: Devemos sempre perdoar aos insipientes , porque deles será o Reino do Céu...

22-) INDEFESO / INDEFESSO
INDEFESO – é sinônimo de desarmado , inerme .
Ex.: Percebemos que as tropas estavam indefesas .
INDEFESSO – quer dizer incansável .
Ex.: A indefessa busca de um diploma .

23-) LISTA-NEGRA / LISTA NEGRA
LISTA-NEGRA – é uma lista de pessoas cuja atitude é considerada suspeita ou ilegal .
Ex.: Você faz parte de uma lista-negra dos maus alunos da sala .
LISTA NEGRA – é uma lista de cor negra .

24-) MAL – MAU
MAL – pode exercer as seguintes classes gramaticais :
a) é um advérbio de modo , antônimo de bem .
Ex.: Ele foi mal na prova aplicada ontem à noite .
b) é um substantivo , sinônimo de doença , problema .
Ex.: O mal daquele aluno é que ele estuda pouco .
c) é uma conjunção que equivale a assim que .
Ex.: Mal ele entrou na festa , algumas pessoas foram embora .
MAU – é um adjetivo , antônimo de bom .
Ex.: Trata-se de um mau momento para agirmos .

25-) MAL-EDUCADO / MAL EDUCADO
MAL-EDUCADO – é sinônimo de malcriado .
Ex.: Você foi muito mal-educado na festa .
MAL EDUCADO – é que recebeu má educação .
Ex.: Você foi mal educado por seus pais .

26-) MEIA-DÚZIA / MEIA DÚZIA
MEIA-DÚZIA – é um pronome indefinido que equivale a alguns .
Ex.: Por causa de meia-dúzia de bêbados , o bar teve de ficar aberto até as 4 horas .
MEIA DÚZIA – é uma expressão correspondente a seis .
Ex.: Comprei meia dúzia de laranjas .

27-) PERSONALIZAR / PERSONIFICAR
PERSONALIZAR – é dar caráter ou toque pessoal a alguma coisa ou alguém .
Ex.: Eu personalizei os meus papéis de carta .
PERSONIFICAR – tem vários significados :
a) representar ou simbolizar ;
b) atribuir qualidades ou sentimentos humanos ;
c) representar ( qualidade ou abstração ) ; e
d) ser o exemplo perfeito , tipificar .
Ex.: Sua personagem personifica o mal .

28-) RAPAR / RASPAR
RAPAR – é escanhoar , pelar .
Ex.: Ele rapou a barba logo pela manhã .
RASPAR – é gastar pelo atrito , desgastar .
Ex.: Ele raspou as paredes antes de pintá-las.

História da Língua Portuguesa Parte 2

II-) A HISTÓRIA DA LÍNGUA PORTUGUESA

* O período pré-românico
Os lingüistas têm hoje boas razões para sustentar que um grande número de línguas da

Europa e da Ásia provêm de uma mesma língua de origem : o indo-europeu . Com exceção
do basco, as línguas oficiais dos países da Europa Ocidental pertencem a quatro ramos da
família indo-européia :
o helênico ( grego ) , o românico ( português , italiano , francês , castelhano ) , o germânico

( inglês , alemão ) e o céltico ( irlandês , gaélico ) . Um quinto ramo , o eslavo , engloba
diversas línguas atuais da Europa Oriental .
Por volta do II milênio a. C. , o grande movimento migratório terminou . Um grupo

importante , os celtas , instalou-se na Europa Central , na região correspondente às atuais Boêmia ( República Tcheca ) e Baviera ( Alemanha ) .
Algumas línguas da Europa no II milênio ª. C. :
- povos de línguas indo-européias : germanos , eslavos , celtas , úmbrios , latinos ,

oscos , dórios .
- povos de origens diversas : iberos , aquitanos , lígures , etruscos , sículos .
Os celtas estavam situados inicialmente no centro da Europa , mas entre o

II e o I milênios ª.
Foram ocupando várias outras regiões , até ocupar , no século III a. C. , mais da metade

do continente europeu . Os celtas são conhecidos por diferentes denominações : celtiberos , gauleses , bretões , gálatas , etc.
O período de expansão celta sofreu uma reviravolta e o espaço ocupado por este povo

encolheu . As línguas célticas subsistem ainda em regiões da Irlanda , da Grã-Bretanha e da Bretanha francesa . A língua céltica manteve-se na Galiza ( região ao norte de Portugal , atualmente é parte da Espanha ) até o século VII d. C .

* O período românico
A língua portuguesa , que tem como origem a modalidade falada do Latim , desenvolveu-se na costa oeste da Península Ibérica , incluída na província romana da Lusitânia . A partir de 218 ª. C. e até o século IX , a língua falada na região é o romance , uma variante do latim que constitui um estágio intermediário entre o latim vulgar e as línguas latinas modernas ( português , castelhano , francês , etc . )
De 409 d. C. a 711 , povos de origem germânica instalam-se na Península Ibérica . Surge uma diferenciação regional , com o rompimento definitivo da uniformidade lingüística da península . Algumas influências dessa época persistem no vocabulário do português moderno , em termos como : roubar , guerrear e branco .
A partir de 711 , o árabe é adotado como língua oficial nas regiões conquistadas , mas a popu-
lação continua a falar o romance . Algumas contribuições dessa época ao vocabulário português atual são arroz , alface , alicate e refém .
No período que vai do século IX ao XI , alguns termos portugueses aparecem nos textos em latim , mas o português é essencialmente apenas falado na Lusitânia .
* O galego-português
No século XVI , o galego-português consolida-se como língua falada e escrita na

Lusitânia . Os árabes são expulsos para o sul da península , onde surgem os dialetos
moçárabes , a partir do contato do árabe com o latim . Em galego-português são escritos os primeiros documentos oficiais e os textos literários não latinos da região , como os cancioneiros ( coletâneas de poemas medievais ) :
a) Cancioneiro da Ajuda
Copiado em Portugal em fins do século XIII ou princípios do século XIV . Encontra-se

na Biblioteca da Ajuda , em Lisboa . Das suas 310 cantigas , quase todas são de amor .
b) Cancioneiro da Vaticana
Copiado na Itália em fins do século XV ou princípios do século XVI . Entre as suas 1205

cantigas , há composições de todos os gêneros .
c) Cancioneiro Colocci-Brancutti
Copiado na Itália em fins do século XV ou princípios do século XVI . Descoberto em

1878 ,foi adquirido pela Biblioteca Nacional de Lisboa , onde se encontra desde 1924 .
Entre as suas 1664 cantigas , há composições de todos os gêneros .
A separação entre o galego e o português se iniciará com a independência de Portugal

( 1185 ) e se consolidará com a expulsão dos mouros em 1249 e com a derrota em
1385 dos castelhanos que tentaram anexar o país .
No século XIV surge a prosa literária em português , com a Crônica Geral de

Espanha ( 1344 ) e o Livro de Linhagens , de D. Pedro , conde de Barcelona .


* AS FASES DA LÍNGUA PORTUGUESA
Leite de Vasconcelos divide a história da língua portuguesa em três grandes épocas :
1ª ) A fase pré-histórica

Começa com as origens da língua e se prolonga até o século IX . Do século V ao IX
temos o que se chamou o romance lusitânico .
2ª) A fase proto-histórica
Estende-se do século IX ao XII . Os documentos eram redigidos em latim bárbaro ,

com algumas palavras portuguesas . A língua já era falada , mas não era escrita .
3ª) A fase histórica
Inicia-se no século XII e se estende até os dias atuais . Compreende dois períodos :
a) Período do Português Arcaico : do século XII ao século XVI .
b) Período do Português Moderno : do século XVI até os nossos dias .

* O DOMÍNIO DA LÍNGUA PORTUGUESA
A partir do século XV , a língua portuguesa foi levada às regiões conquistadas . Assim
,
estendeu seu domínio geográfico , que compreende os países , os lugares onde é falada .
Segundo Leite de Vasconcelos , o Português atinge hoje os seguintes domínios :
1º) Português Continental – falado em Portugal .
2º) Português Insulano – falado nas ilhas européias .
3º) Português Ultramarino
a) brasileiro ;
b) indo-português , que compreende os dialetos crioulos de Damão , Diu e Goa ( Ásia ) ;
c) dialeto crioulo de Ceilão ( Ásia ) ;
d) dialeto crioulo de Macau ( Ásia ) ;
e) malaio-português , com os dialetos crioulos de Java , Malaca , Singapura ( Ásia ) ;
f) português de Timor ;
g) dialeto crioulo de Cabo Verde ( África ) ;
h) dialeto crioulo de Guiné ( África ) ;
i) português de Angola , Moçambique , Zanzibar , Mombaça , Melinde e Quiloa ( África ) .

* O PORTUGUÊS ARCAICO
No século XII aparece o primeiro texto inteiramente redigido em Português . É a

“ Cantiga da Ribeirinha “ , poesia escrita por Paio Soares de Taveirós , dedicada a
D. Maria Paes Ribeiro , a Ribeirinha , datada de 1189 . São conhecidos cronistas como
Fernão Lopes , Gomes Eanes Zurara e Rui de Pina .
Em 1290 , D. Dinis , o Rei Trovador , torna obrigatório o uso da língua portuguesa ,e,

funda, em Coimbra a primeira universidade .
Entre os séculos XIV e XVI , a língua portuguesa faz-se presente em várias regiões da Ásia ,África e América , sofrendo influências locais . Com o Renascimento , aumenta

o número de italianismos e palavras eruditas de derivação grega , tornando o português
mais complexo e maleável . O fim desse período de consolidação da língua é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende , em 1516 .

* O PORTUGUÊS MODERNO
No século XVI houve um processo de aperfeiçoamento e enriquecimento lingüísticos ,

e para coroar esse processo , aparece , em 1572 , a obra de Luís de Camões , “ Os Lusíadas “ , marcando a história do nosso idioma com o maior monumento literário e lingüístico .
É ainda no século XVI que se inicia a gramaticalização do nosso idioma com a publicação

no ano de 1536 , da primeira gramática da língua portuguesa , escrita pelo Pe. Fernão de Oliveira . Em 1540 João de Barros escreve a segunda com o mesmo título da primeira .
Nos séculos XIX e XX o vocabulário português recebe novas contribuições : surgem termos

de origem greco-latina para designar os avanços tecnológicos da época
( automóvel , televisão ) e ter mos técnicos em inglês em ramos como as ciências médicas e a informática ( check-up ,software ) .

* O PORTUGUÊS NO MUNDO
O mundo que fala português é avaliado hoje entre 170 e 210 milhões de pessoas.

O português, oitava língua mais falada do planeta , é a língua oficial em sete países : Angola , Brasil , Cabo Verde , Guiné Bissau , Moçambique , Portugal e São Tomé e Príncipe .
O português é uma das línguas oficiais da União Européia desde 1986 , quando da admissão
de Portugal na instituição. Em 1996 foi criada a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ,que reúne os países de língua oficial portuguesa com o propósito de aumentar a cooperação e o intercâmbio cultural entre os países membros e uniformizar e difundir a

língua portuguesa , conseguindo manter até hoje apreciável coesão entre as suas variedades .
No estudo das formas que veio assumir a língua portuguesa na África , Ásia e Oceania ,é ne –
cessário distinguir as variedades crioulas e as não crioulas . O grau de afastamento em

relação à língua mãe é hoje de tal ordem que , mais do que como dialetos , os crioulos
devem ser considerados como línguas derivadas do português .

* O PORTUGUÊS NA EUROPA
Na faixa ocidental da Península Ibérica atualmente utiliza-se o galego e o português . Esta re
gião apresenta um conjunto de falares que podem ser classificados em três grandes grupos :

a) Dialetos galegos ;
b) Dialetos portugueses setentrionais ; e
c) Dialetos portugueses centro-meridionais .
A fronteira entre os dialetos atravessa Portugal de noroeste a sudeste . Merecem

atenção especial algumas regiões do país que apresentam características fonéticas peculiares .

* O PORTUGUÊS NA AMÉRICA
(1) HISTÓRIA DA LÍNGUA NO BRASIL
No início da colonização portuguesa no Brasil , o tupi foi usado como língua geral na colônia ,
ao lado do português , principalmente graças aos padres jesuítas que haviam estudado e difundido a língua . Com a expulsão dos jesuítas em 1759 , o português fixou-se

definitivamente como o idioma do Brasil . Das línguas indígenas , o português herdou
palavras ligadas à flora e à fauna ( abacaxi , mandioca , caju , tatu , piranha ) ,bem como
nomes próprios e geográficos .
Com o fluxo de escravos trazidos da África , a língua falada na colônia recebeu novas con-
tribuições .
Um novo afastamento entre o português brasileiro e o europeu aconteceu quando a

língua falada no Brasil colonial não acompanhou as mudanças ocorridas no falar português durante o século XVIII , mantendo-se fiel à maneira de pronunciar da época da descoberta . Uma reaproximacão ocorreu entre 1808 e 1821 , quando a família real portuguesa
transferiu-se para o Brasil com toda sua corte , ocasionando um reaportuguesamento
intenso da língua falada nas grandes cidades .
Após a independência ( 1822 ) , o português falado no Brasil sofreu influências de imigran-
tes europeus que se instalaram no centro e sul do país .
No século XX , a distância entre as variantes portuguesa e brasileira do português

aumentou em razão dos avanços tecnológicos do período . Certas palavras passaram
a ter formas diferentes nos dois países ( comboio e trem , autocarro e ônibus , pedágio e portagem ) . A abertura conquistada pelos modernistas ( 1922 ) consagrou literariamente a norma brasileira .
(2) ZONAS DIALETAIS BRASILEIRAS
A fala popular brasileira apresenta relativa unidade.A comparação das variedades

dialetais brasileiras com as portuguesas leva à conclusão de que aquelas representam sincretismo destas .
A insuficiência de informações rigorosamente científicas e completas sobre as diferenças

que separam as variedades existentes no Brasil não permite classificá-las em bases
semelhantes às que foram adotadas na classificação dos dialetos do português europeu .
Existe uma proposta de classificação que se baseia em diferenças de pronúncia . Segundo
essa proposta , é possível distinguir dois grupos de dialetos brasileiros : o do Norte e o do Sul . Pode-se distinguir no Norte duas variedades : amazônica e nordestina . E , no Sul , quatro : baiana , fluminense , mineira e sulina .

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

História da Língua portuguesa Parte 1

A FORMAÇÃO HISTÓRICA DA LÍNGUA PORTUGUESA
1ª Parte

I-) O SURGIMENTO DA LÍNGUA PORTUGUESA

O surgimento da Língua Portuguesa está ligado ao processo de constituição da Nação Portuguesa.
Na região central da atual Itália , o Lácio , vivia um povo que falava latim . Na mesma região foi fundada a cidade de Roma . Os romanos chegaram a possuir um grande império , o Império Romano, sendo que a cada conquista impunham aos vencidos seus hábitos , instituições , os padrões de vida e a língua .
Existem duas modalidades do latim :
a) O latim vulgar ( = sermo vulgaris )
Era somente falado . Era a língua do cotidiano usada pelo povo analfabeto da região central da atual Itália e das províncias.Era a língua coloquial , viva , sujeita a alterações freqüentes . Era a modalidade imposta aos povos vencidos , o que resultou no surgimento dos diferentes romanços e posteriormente nas diferentes línguas neolatinas .
b) O latim clássico ( = sermo urbanus )
Era a língua falada e escrita , apurada , artificial , rígida , era o instrumento literário usado pe-los grandes poetas , prosadores , filósofos , retóricos ...
No século III a. C. , os romanos invadiram a região da península ibérica , dando início ao processo de romanização da península . No decorrer dos séculos , os romanos abriram estradas ligando a colônia à metrópole , fundaram escolas , organizaram o comércio , levaram o cristianismo aos nativos... Ao latim foram anexadas palavras e expressões das línguas dos nativos.
No século V da era cristã , a península sofreu invasão de povos bárbaros germânicos . Os novos conquistadores aceitaram a cultura e língua peninsular . Influenciaram a língua local acrescentando a ela novos vocábulos e favorecendo sua dialetação , já que cada povo bárbaro falava o latim de uma forma diferente .
Com a queda do Império Romano , as escolas foram fechadas e a nobreza desbancada , não hávia mais os elementos unificadores da língua . O latim ficou livre para modificar-se .
No século VIII a península foi tomada pelos árabes , sendo mais intenso o domínio no sul da península . O árabe foi falado ao mesmo tempo que o latim . As influências lingüísticas árabes se limi-tam ao léxico no qual os empréstimos são conhecidos pela sílaba inicial al- correspondente ao artigo árabe : alface , álcool , álgebra , alfândega... Outros : bairro , berinjela , café , quintal , xarope.
Os cristãos organizaram um movimento de expulsão dos árabes . A guerra travada foi chamada de “ santa “ ou “ cruzada “ . Isso ocorreu por volta do século XI . No século XV os árabes estavam completamente expulsos da península .
Durante a Guerra Santa , vários nobres lutaram para ajudar D. Afonso VI . Um deles , D. Henrique , destacou-se pelos serviços prestados à coroa e por recompensa recebeu a mão de D. Tarejá , filha do rei . Como dote recebeu o Condado Portucalense . Continuou lutando contra os árabes e anexando novos territórios ao seu condado que foi tomando o contorno do que hoje é Portugal .
D. Afonso Henriques funda a Nação Portuguesa que fica independente em 1143 . A língua falada nessa parte ocidental da Península era o galego-português que com o tempo foi diferenciando-se . Em 1290 , o rei D. Diniz funda a Escola de Direitos Gerais e obriga em decreto o uso oficial da Língua Portuguesa .

O seu santo nome

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente,
não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo
essa palavra que é toda sigilo e nudez,
perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

Carlos Drummond de Andrade

A farta entrega

Amo a farta entrega do teu verbo amar ao meu
Amo quando me enlaças em segredo
A conjugar no olhar
Os mesmos modo e tempo tão freqüentes

Amo o teu verbo, a tua boca que o diz,
E a que não o diz? Amo-a com a mesma intensidade
Com o mesmo grito de alma
Com o qual me derramo no mar de teu abismo

E se às vezes, amor, eu desperto como se não te visse
E digo coisas tuas que não conheces
Não seria, apenas, um feitio a mais do sentimento:
Dar-te outra forma, cheiro e gosto


Diogo Poeta

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Continue assim

Diz a voz trêmula: “Continue assim”, acato um conselho e não uma ordem.
O orgulho brota nas costas do homem, cega-o num processo de dependência, droga radioativa que circula nas veias da terra e aflora assaltando a vida. Lá fora, as crianças rodopiam de mãos dadas, uma pequena me encara e rodopia, encara e rodopia, depois corre para o escorregador feito um jato, desce a gargalhar, enche a mão de areia que se esvai entre seus pequenos dedos desajustados, iguais aos de um europeu pragmático que vi a pouco num famoso restaurante japonês, tentando pela primeira vez, comer com os pauzinhos, denomino de plano engenhoso. Lá, ela vai, agora, se distrai ao ver um pássaro azul pousar num galho frouxo, quer convencer-me a qualquer custo a criança, quanto orgulho! Posso vê-la vangloriando-se por brincar com o mundo, influenciado lembro-me da pequenez, serei mais exato: lembro-me da ingenuidade, da ignorância...
Na infância, o amor próprio exagerado manifesta-se brincando, lisonjeado, sabe desde o começo dos tempos que a época propícia é aquela, melhor não há, pois lhe permite invadir cativando.
Idéia tola de que aquilo que capto marca a falta de razão, totalmente o contrário, a voz, a tremer meus órgãos, aconselha por meio de duas palavras impetuosas, graves, acolho-as prazeroso e convencido de que me infiltro bem na sociedade, diferentemente de um louco, por isso respeito a voz que diz “Continue assim”. E continuo andando livre como uma águia sobrevoando presas, combatendo orgulhos, machucando com picadas ferozes, eu a secar poços de corpos e de espíritos, para que, assim, eu possa arrancar a falsa ilusão de que a existência vale alguma coisa.
“Deus está em ti!” Quanta pretensão! Tu és filho do pai e andas pela casa do pai, mas ao invés de colocar-se em seu lugar, vasculhas o mundo como uma mulher ciumenta. Dono de tudo, assim é o animal que pensa e que já começa errante por se achar melhor só porque julga saber o que levam suas ações, liga coisas a coisas que nem compreende e manuseia teorias circenses apoiado numa metafísica orgulhosa que espelha toda a natureza humana.
Sou um inimigo dos orgulhosos, sou um invejoso, só um invejoso para combater o orgulho dos outros, quanto aos meus, só posso esforçar-me a desprezá-los usando de um estado depressivo, profundo, caótico, mas não ligo, a dor dos pensamentos fortalece o corpo tal qual a dor física, por fim, sigo forte como um burro que empaca, conformado ouço a frase: “Continue assim” concluindo que o melhor é empacar de maneira mais imutável possível, para evitar qualquer pretensão.


Diogo Poeta

Na dúvida, coloque açúcar

Na dúvida, coloque açúcar
Depois minta, traia, machuque
Na dúvida, coloque açúcar
E deixe que antes da hora morram as flores
E sobre teus sonhos vigie-os, castre-os

Seja a mais pura crueldade
Ria da desgraça alheia e da tua
Tire uma foto, pinte um belo quadro
Diga que é arte
Eles vão te entender!

Mas não se esqueça do açúcar
O Santo docinho da tarde! O casamenteiro...
De lamber os beiços
De falar de boca cheia
As malícias tantas que te custam repressões!

Sem o açúcar nada vale!
Seríamos sem ele; demônios amargos,
Pessoas doentes, revoltadas
De sangue ralo, pele flácida
Sem o açúcar nada vale!


Diogo Poeta

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Um gozo novo

Descobri um gozo novo, vindo do sertãozinho, perto da casa da Lourdes, temperado com pimenta do reino e uma baita dose de folhas de loro, sem levar em conta a exuberância do seu fértil, labiríntico e estreito sexo, que nos meus banhos fantasio enquanto me ensabôo.
Seríamos mais felizes se nos banhássemos mais. Já pertencem ao conhecimento científico os benefícios que uma ducha proporciona ao bom humor. Tomo banho constantemente não por questões de higiene, antes...
Antes de todo o céu se abrir, mais uma vez, forte e luminoso, e dele sair a mulher que lhe roubara um pedaço feito um filho que tomou da mãe uma parte do útero, liberta da feiúra da idade das mulheres daqui, terra de meninas pobres de si mesmas, incapazes de escapar da futilidade que elas próprias cultivam com regadas pesadas do que vier a ser moda, daquilo que vier a ser o bastante para se esconderem no fundo, confundindo-se com qualquer coisa à la mode “Princesa do Pop”, princípios de uma vida vaga, remadas para um país de onde haverá ouro, abdicando de tantas coisas para manter o arco, elas se machucam da matéria que não brota e dos sonhos que não duram.
Descobri nessa mulher criada no sertão que mora hoje perto da casa da Lourdes com seu tempero quente e heróico, um gozo novo. Hoje ela vem para o banho...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

COLAGEM

Colagem de Textos

Voltaire / William James / Victor Hugo / Dante Milano

Temos um grande assunto a tratar aqui:
a felicidade!......
ou, ao menos, ser o menos infeliz que se possa neste mundo.
Eu não poderia suportar que me dissessem que quanto mais se pensa, mais
se é infeliz. Isso vale em relação às pessoas que pensam mal. Não estou
falando das pessoas que pensam mal dos outros, o que pode ser divertido,
mas... Tragicamente divertido!
Falo daqueles que pensam de maneira errada, dos que rearranjam os seus preconceitos e julgam estar... pensando! Estes, sim, merecem compaixão, porque têm uma doença da alma, e toda doença é um estado triste. Infeliz.
Amo as pessoas que pensam de forma correta, mesmo aquelas que pensam de maneira diferente de mim.
Pensar, meus amigos, é um ato que põe em dúvida a estrutura de tudo!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Doce segredo

Circundou-me a fronte uma criatura alada
Espalhou-se como o doce perfume do jasmim
Surgiu dos céus em noite enluarada
Para dizer segredos sobre mim
Depois disso era bela a alvorada;
Surgiu uma luz e achei – Não haverá fim!
Ledo engano, corpo e alma voltaram à madrugada,
Ruíram então como torres de marfim!
Hoje, as aventuras que guardo na lembrança,
Que o peito enchiam de alegria, outrora,
Foram-se, perderam-se na distância!
Em uma prece calma, agora, choro, pranteio meus ais,
Mas demora o vento responder à alma que chora,
Não há esperanças, elas não voltam jamais.

Ynácio Loyola Lima

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Nova regras da Língua Portuguesa



As novas regras da língua portuguesa começam a ser implementadas em 2008. Mudanças incluem fim do trema e devem mudar entre 0,5% e 2% do vocabulário brasileiro. Veja abaixo quais são as mudanças.
HÍFEN
Não se usará mais:1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista"2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada"
TREMA
Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados
ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais para diferenciar:1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição)2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo)3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo")4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo)5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica)
ALFABETO
Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y"
ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usará mais:1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem"2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo"
ACENTO AGUDO
Não se usará mais:1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia"2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca"3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem
GRAFIA
No português lusitano:1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" -que se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo"2. será eliminado o "h" de palavras como "herva" e "húmido", que serão grafadas como no Brasil -"erva" e "úmido"

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Crônica

O trem

Certa vez, fazia uma viajem de trem e percebi um banco vago, outras pessoas por ali liam, outras conversavam e assim diziam:

- Você viu ontem na novela o beijo da atriz.

- É não tem jeito mesmo os preços aumentam e nossa aposentadoria cada vez mais diminui.

- Olha o amendoim torrado - dizia um menino passando e se equilibrando com os solavancos da composição.

- Caneta, olha a caneta.

- Olha o livro de receitas.

Uma torre de babel de produtos que a cada estação o vagão perdia alguns e logo em seguida recuperava mais uns dez.

- Esconde, esconde olha os home! - Gritou alguém lá do fundo.

- Tô desempregado e preciso de ajuda para dá de comer pros meu filho, me acuda pelo amor de Deus!

Fico um tanto curioso por que aquele banco ainda continua vazio, por certo não é reservado para gestantes nem para deficientes, ou tampouco para idosos, não é de cor diferente e nem tem aqueles adesivos.

É um mundo diferente dentro desses vagões que transitam durante o dia, que levam e trazem dezenas de pessoas, sabe lá pra onde e traz sabe lá de onde, só sei que estive lá naquele dia ou de vez em quando, mas com certeza com um destino.

- Moço, vai ai uma balinha de hortelã.

- Não obrigado, não gosto de hortelã.

- Mas tem de limão, de uva, de banana.

- Não, muito obrigado.

Peguei um jornal que havia sido deixado ali no banco ao lado, para ler a primeira noticia : Açougueiro mata amante da esposa dentro de casa.

Fechei o jornal e fiquei olhando a paisagem que passava diante da janela de belos trens espanhóis comprados a preço de novos, e via um belo jardim por toda o caminho composto por lindos pés de capim gordura e outros tipos de ervas daninhas.

Mas de repente olhei e vi aquele banco vazio, seria um tipo de teste, ou seria um novo equipamento ali colocado, como entrei no trem em uma estação bem depois da inicial não saberia dizer o porque.

Olho no relógio, acho que vou chegar a tempo para meu encontro - pensei comigo.

- Atenção senhores usuários estamos parando por pobremas técnicos na linha.- não fui eu que errei, o maquinista disse pobremas mesmo.

Só me faltava essa, preso aqui até sabe quando, ja não bastava a distância agora também essa parada do trem, uma coisa é certa os vendedores terão muito tempo para vender seus produtos.

- Olha a bala de hortelã, limão, uva, manga, banana.

Um estalo e... Viva! O trem novamente começa a andar, devagar mas está andando.

Então, olho para aquele banco e ele continua vazio, mas é contra a lei da natureza humana em um lugar cheio de pessoas ninguém ocupá-lo.

O trem continua seu caminho deixando para trás as paisagens estáticas. De repente um lance rápido de algo perdido em algum momento perdido dentro daquele mundo perdido, encontra-se uma revelação a chamar a atenção de quem espera que o tempo seja cúmplice de novas descobertas.Uma gota.

- É, uma gota caída daquele banco abandonado, inundado, a espera de alguém que lhe de um pouco de calor humano, mesmo que seja de uma bunda.

Parou!

Nova estação, as portas se abrem e entra uma alma vinda de onde poucas transitavam.

Ele mira o banco, o banco mira-o, eles se querem, eles se desejam, o primeiro lança um olhar cativante, possessivo, o segundo age com resignação esperando o momento do triunfal encontro. Chega então o momento decisivo – Puta que o pariu não senta - Nunca pensei tão alto em minha vida.

Mas era tarde, inundou-se o rabo.

MURAL DE RECADOS

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