Ser verdadeiro para vencer a verdade, porém, acima disso, ser verdadeiro para vencer o orgulho. Nós, escravos das determinações da massa, alimentamos fantasias convenientes, no começo, parece que crescemos enquanto nos vestem os outros, com o passar do tempo, perdemos a visão do nosso corpo, e as fantasias sobrepostas nos confundem de tal maneira que nos procuramos nelas, no meio dos tecidos volumosos. Depois, nós nos vemos dependentes pelo motivo de imaginarmos a possível nudez que viria se faltasse cada peça tão estimada, e ficamos receosos, claro, pois revelar nossas intimidades além da vergonha certa que se instalaria , provocar-nos-ia uma completa falta de opções no vestuário.
Não se despem nem de frente ao espelho do quarto as pessoas, as pessoas não despem as pessoas delas nunca, confundimos nossas ações em ações alheias não por força de uma identificação normal ou sadia e sim por força de um desejo de figuração que vai além das normalidades presentes num processo de individuação. Nós nos confundimos graças à devaneios que nos colocam em outra pele, em outro vestido, em outra posição social, em outro sexo, em outro amor, em outra esquina que parece dar para algum sentido real, para alguma resposta que traz felicidades frescas como as uvas roxas numa fruteira de Natal.
Diogo Poeta
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