segunda-feira, 30 de junho de 2008

O cheiro do café

O cheiro do café, a mesa posta, o pão, a calmaria... Do outro lado destas paredes, um deserto sobre rodas perambula sem dono a emitir um zumbido junto à impressão de se tratar de um colante fino bem incômodo a cobrir as coisas, apertando-as a tal ponto de fazê-las escapar um som doído. Aqui dentro, com o café forte, o teto é limpo, estacionado e rígido, protetor combatente de diversos perigos entre eles os tantos inimagináveis.
Há acima da nossa cabeça (na forma de um teto) o monitoramento do ar quente feito por nosso pensamento, único formulador do ambiente que vem de fora pro âmago tal qual ocorre com um balão de festa que se expande e depois cria um novo caminho gravitacional quando o soltam. Do balão vistoso, não se pode querer a permanência do corpo como uma forma imutável, tanto que se assim fosse, não haveria a real beleza do céu azul que se descolore, à medida que o sol desce avermelhando a tenda terrestre.
O cheiro do café desperta! Embora não se acorde com freqüência nos dias de hoje, o seu aroma negro é sólido, é um aroma maciço como se fosse um carro em alta velocidade que entra pelas narinas rasgando. O café é uno em sua solidez e ainda serve de proteção contra o mau sono. O café é um ser divino que advém da matéria e antes de ser digerido deveriam fazer-lhe reverencias...
Gosto do meu café puro e só reverencio o aroma do meu café assim que o coloco na xícara, assim que o tenho pronto para o consumo, mas ele tem que estar puro! Bem puro! Até mesmo uma pintada de açúcar pode estragá-lo, desvirtuando-o. Assim, prefiro senti-lo inteiro em sua personalidade de café, que é amarga e forte.

Diogo Poeta

Ser vestido

Ser verdadeiro para vencer a verdade, porém, acima disso, ser verdadeiro para vencer o orgulho. Nós, escravos das determinações da massa, alimentamos fantasias convenientes, no começo, parece que crescemos enquanto nos vestem os outros, com o passar do tempo, perdemos a visão do nosso corpo, e as fantasias sobrepostas nos confundem de tal maneira que nos procuramos nelas, no meio dos tecidos volumosos. Depois, nós nos vemos dependentes pelo motivo de imaginarmos a possível nudez que viria se faltasse cada peça tão estimada, e ficamos receosos, claro, pois revelar nossas intimidades além da vergonha certa que se instalaria , provocar-nos-ia uma completa falta de opções no vestuário.
Não se despem nem de frente ao espelho do quarto as pessoas, as pessoas não despem as pessoas delas nunca, confundimos nossas ações em ações alheias não por força de uma identificação normal ou sadia e sim por força de um desejo de figuração que vai além das normalidades presentes num processo de individuação. Nós nos confundimos graças à devaneios que nos colocam em outra pele, em outro vestido, em outra posição social, em outro sexo, em outro amor, em outra esquina que parece dar para algum sentido real, para alguma resposta que traz felicidades frescas como as uvas roxas numa fruteira de Natal.


Diogo Poeta

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Novos Tempos!

A aurora já vem raiando,
sinto os ventos de novos tempos,
aquilo que um dia foi presente,
hoje está próximo de virar passado.

Nesta nova era
espero um novo amor,
que seja o que dele se espera...
felicidade, cumplicidade e fidelidade!

Um amor forte e decidido,
que não fraqueje,
que não exite!

Que ame com todos os sentidos,
com todos os poros,
que beije-me com a doçura do mel,
e me arrebate com a força de um tufão!

Um amor que não desista dos nossos sonhos,
que lute até o último suspiro,
e que se tiver que morrer por ele,
que morra, pois morrer por um grande amor,
que vale a pena, não é morrer!
é viver para sempre!
é se tornar eterno!
é ser divino e insuperável!

Wladimir Stern

domingo, 8 de junho de 2008

Quando...

Quando te conheci
quase de mim esqueci,
Hoje não estás mais ao meu lado,
e de mim não lembra mais.

Quando comecei a te amar,
voltei a sonhar,
hoje ainda te amo,
mas os sonhos viraram pesadelos.

Quando te beijava
a minha mente viajava,
hoje não mais te beijo,
mas continuo a viajar em lembranças de nossos momentos!

Tenho te procurado para ver se me acho,
Tenho te amado a distância para tentar sonhar,
sonho e procuro seu beijo...
e em cada rosto e lábio na rua desesperadamente ... busco... você!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Minha tristeza

Depois de ler os pensamentos do criador do Eterno Retorno

Minha tristeza é um estado de graça
Nela vem à tona o que realmente vale à pena se entristecer,
Sou feliz por ter tanta tristeza
Sou feliz por ter as tantas marcas que carrego
Lágrimas que jorram verdadeiramente
Se um dia caminhei em terras estranhas e colhi frutos perigosos
Bendito dia e nada mais!
Não posso reclamar por viver a risco,
Não é de sempre que trago essa convicção
Precisei abrir os olhos com a mão fria
E responder de maneira diferente ao sol das manhãs,
Tive que aprender a agradecer porradas para revidá-las gentilmente
Espalhar a tristeza de maneira devassa, publicar a melancolia na primeira página
É e sempre será a alma do negócio,
Mas a alma do negócio muda de estratégia para continuar a dar vida ao conteúdo
Às vezes quero explodir pelo o teto e ferir a garganta,
Mas escolho o cochicho bem baixinho, bem devagar a ponto de acordar os sentidos internos
“Atiçá-los” esse é o segredo mais explícito que conheço e dar certo,
“atiça, atiça! Faça o que querem e não excitarão em lhe dar uma recompensa”
Dizia um amigo...
Há uma tristeza desconfortável quando penso nos outros, a compaixão atrapalha,
Ela se alastra como fogo em palha,
Somos palha para esse fogo,
Não passamos de fogo para as palhas alheias quando sentimos pena,
Hoje, sinto um foguear em minha direção,
Nada me atinge,
Carrego a certeza maior
De que sou palha diferenciada.

Diogo Poeta

Assentamento

Quando eu morrer,
que me enterrem
nabeira do chapadão--
contente com minha terra
cansado de tanta guerra
crescido de coraçãoTôo(apud Guimarães Rosa)

Zanza daqui
Zanza pra acolá
Fim de feira, periferia afora
A cidade não mora mais em mim
Francisco, Serafim
Vamos embora

Ver o capim
Ver o baobá
Vamos ver a campina quando flora
A piracema, rios contravim
Binho, Bel, Bia, Quim
Vamos embora

Quando eu morrer
Cansado de guerra
Morro de bem
Com a minha terra:

Cana, caqui
Inhame, abóbora
Onde só vento se semeava outrora
Amplidão, nação, sertão sem fim
Ó Manuel, Miguilim
Vamos embora

Chico Buarque

domingo, 1 de junho de 2008

Triste tarde de adeus!

Naquela triste tarde de Março,
quando fechou aquela porta de aço,
fechou também meu coração,
tentei mais uma vez chamar sua atenção...

Ainda espero aquele elevador se abrir,
e de lá surgir meu amor a sorrir,
dizendo-me que tudo não passou de um pesadelo,
e que seu corpo no meu vou vê-lo.

Mostra-me que "o sonho não acabou",
e que seremos pra sempre um do outro,
nada mais irá nos separar,
e vou viver só para te amar.

Vem me faz de novo feliz,
faça eu acreditar no amanhã,
faça eu sentir o prazer de seus beijos,
faça de novo eu ser ... seu!

Wladimir Stern

Sou Eterno!

Como é doce o sabor dos teus lábios!
sinto-me como se fosse a abelha sugando o mel.
Sua pele é como a seda, que macia desliza por um corpo real,
fazendo-me o mais nobre dos mortais!

Deito-me contigo para ganhar a vida,
que a cada momento de prazer ao seu lado,
ganha o paraíso...
como eterna recompensa!

Te amar é me tornar eterno,
porque nem o tempo,
nem a morte,
nem a saudade,
nem a solidão,
farão eu meu esquecer...
daquela que me fez ser...
o homem mais feliz do mundo,
pois mesmo que tenha sido por pouco tempo...
eu não fui um homem qualquer,
eu fui... e sempre serei , o seu, só seu homem!

Wladimir Stern

MURAL DE RECADOS

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