O cheiro do café, a mesa posta, o pão, a calmaria... Do outro lado destas paredes, um deserto sobre rodas perambula sem dono a emitir um zumbido junto à impressão de se tratar de um colante fino bem incômodo a cobrir as coisas, apertando-as a tal ponto de fazê-las escapar um som doído. Aqui dentro, com o café forte, o teto é limpo, estacionado e rígido, protetor combatente de diversos perigos entre eles os tantos inimagináveis.
Há acima da nossa cabeça (na forma de um teto) o monitoramento do ar quente feito por nosso pensamento, único formulador do ambiente que vem de fora pro âmago tal qual ocorre com um balão de festa que se expande e depois cria um novo caminho gravitacional quando o soltam. Do balão vistoso, não se pode querer a permanência do corpo como uma forma imutável, tanto que se assim fosse, não haveria a real beleza do céu azul que se descolore, à medida que o sol desce avermelhando a tenda terrestre.
O cheiro do café desperta! Embora não se acorde com freqüência nos dias de hoje, o seu aroma negro é sólido, é um aroma maciço como se fosse um carro em alta velocidade que entra pelas narinas rasgando. O café é uno em sua solidez e ainda serve de proteção contra o mau sono. O café é um ser divino que advém da matéria e antes de ser digerido deveriam fazer-lhe reverencias...
Gosto do meu café puro e só reverencio o aroma do meu café assim que o coloco na xícara, assim que o tenho pronto para o consumo, mas ele tem que estar puro! Bem puro! Até mesmo uma pintada de açúcar pode estragá-lo, desvirtuando-o. Assim, prefiro senti-lo inteiro em sua personalidade de café, que é amarga e forte.
Diogo Poeta
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