“ NÃO CONFUNDA – GAFES DA LÍNGUA PORTUGUESA “
01-) A / HÁ
A – é uma preposição e se usa quando não existe possibilidade da substituição por faz .
Ex.: Daqui a pouco chegaremos a Guarulhos .
Estávamos a poucos metros de nossos amigos .
HÁ – é uma forma verbal e facilmente pode ser substituída por faz .
Ex.: Não a vejo há dez dias .
Há uns cinqüenta anos isso era moda .
02-) ACERCA DE / CERCA DE / HÁ CERCA DE
ACERCA DE – é uma locução sinônima de a respeito de , sobre .
Ex.: Muita gente conversa hoje acerca de política e futebol .
CERCA DE – é uma locução sinônima de aproximadamente , por volta de .
Ex.: Quando nós temos cerca de quinze anos , conversamos muito com os amigos .
HÁ CERCA DE – forma equivalente a faz .
Ex.: Pessoas puras não vêem televisão há cerca de cinco anos ...
03-) ACIMA – A CIMA – EM CIMA
ACIMA – usa-se em todos os casos , exceto em oposição a baixo .
Ex.: A explicação acima é muito boa .
A CIMA – usa-se ao lado da palavra baixo .
Ex.: Ele me olhou de baixo a cima .
EM CIMA – é uma forma antônima de embaixo .
Ex.: O livro está em cima da mesa .
04-) AFIM DE / A FIM DE
AFIM DE – significa ter afinidade , parentesco ou semelhança .
Ex.: O italiano é um idioma afim do português .
A FIM DE – é uma locução que equivale a para .
Ex.: Estude a fim de vencer na vida .
05-) AFORA / A FORA
AFORA – usa-se em todos os casos , exceto em oposição a dentro .
Ex.: Afora meus amigos , todos aqui são meus inimigos .
A FORA – usa-se acompanhando a palavra dentro .
Ex.: Olhando-se de dentro a fora dava a impressão de que chovia .
06-) AO ENCONTRO DE / DE ENCONTRO A
AO ENCONTRO DE – indica situação favorável , conformidade de idéias .
Ex.: O aumento de salários vem ao encontro de nossas dificuldades .
DE ENCONTRO A – sempre dá idéia de contrariedade , de oposição , de choque .
Ex.: O aumento de horas de trabalho vem de encontro a todos os funcionários .
07-) AO INVÉS DE / EM VEZ DE
AO INVÉS DE – dá idéia de oposição , de situação antônima , contrária .
Ex.: O dólar , ao invés de baixar , sempre sobe .
EM VEZ DE – é uma idéia de simples substituição .
Ex.: Nós , em vez de irmos ao teatro , fomos ao cinema .
08-) A PAR / AO PAR
A PAR – significa estar ciente de alguma coisa .
Ex.: Quem está a par de tudo , sempre está ciente de tudo .
AO PAR – é de acordo com a convenção legal , com tratamento puramente comercial .
Ex.: O câmbio está ao par do dólar e ao par do euro .
09-) A PRINCÍPIO / EM PRINCÍPIO
A PRINCÍPIO – significa inicialmente , no começo .
Ex.: Todo casamento é , a princípio , uma verdadeira maravilha .
EM PRINCÍPIO – significa em termos , em resumo , em geral .
Ex.: Em princípio , todos serão convocados para prestar depoimento naquele caso .
10-) À-TOA / À TOA
À-TOA – é uma locução adjetiva e tem sempre quatro significados :
- de má qualidade
- insignificante
- fútil , superficial
- sem caráter , ordinário
Ex.: Ele comprou o carro por uma quantia à-toa .
À TOA – é uma locução adverbial que tem dois significados :
- em vão
- sem ocupação
Ex.: Não gosto de ficar à toa .
11-) BEM-VINDO / BENVINDO
BEM-VINDO – quer dizer bem recebido , quando se chega .
Ex.: Seja bem-vindo a nossa cidade .
BENVINDO – é um nome próprio masculino .
Ex.: Benvindo freqüentava a nossa casa nas férias .
12-) COPO D’ ÁGUA / COPO COM ÁGUA
COPO D’ ÁGUA – é o copo cheio de água .
Ex.: Quem está com muita sede pede sempre um copo d’ água .
COPO COM ÁGUA – é o copo com alguma água .
Ex.: Para poder tomar o meu remédio , sempre uso um copo com água .
13-) CORPO-A-CORPO / CORPO A CORPO
CORPO-A-CORPO – é uma luta corporal , luta de corpo a corpo .
Ex.: O soldado francês é ótimo no corpo-a-corpo .
CORPO A CORPO – é uma expressão que indica o modo como se luta ou se age .
Ex.: Os soldados lutavam corpo a corpo .
14-) DEBAIXO / DE BAIXO
DEBAIXO – significa em plano inferior e também por baixo , em condição inferior .
Ex.: Retirei o livro debaixo , e a pilha desmoronou .
Aquele indigente dormiu debaixo da ponte .
DE BAIXO – usa-se nos seguintes casos :
- em oposição a de cima
- isoladamente
- para expressar lugar de onde parte algo
- por inferior
Ex.: Olhei-a de baixo a cima .
Um porão fica sempre na parte de baixo da casa .
15-) DETRÁS / DE TRÁS
DETRÁS – é um adjetivo e significa traseiro , posterior.
Ex.: Meu amigo sempre gostou de sentar no banco detrás .
DETRÁS - é um advérbio e significa na parte posterior ou oposta à principal .
Ex.: Ela me olhou fixamente detrás .
16-) DIA-A-DIA / DIA A DIA
DIA-A-DIA – é diário , cotidiano .
Ex.: É duro o nosso dia-a-dia , trabalhando de sol a sol .
DIA A DIA – é diariamente .
Ex.: Dia a dia trabalhávamos sem cessar .
17-) EM CIMA / ENCIMA
EM CIMA – é antônimo de embaixo .
Ex.: Há políticos que vivem em cima do muro .
ENCIMA – é forma verbal de encimar ( estar sobre , rematar )
Ex.: Uma cereja bem vermelhinha encima o chantili com morangos .
18-) ESPECTADOR / EXPECTADOR
ESPECTADOR – é aquele que vê qualquer ato,o que assiste a qualquer espetáculo .
Ex.: No teatro havia duzentos espectadores .
EXPECTADOR – é aquele que tem expectativa , que tem esperança .
Ex.: O brasileiro é um eterno expectador de melhores dias .
19-) FIM-DE-SEMANA / FIM DE SEMANA
FIM-DE-SEMANA – é lazer , descanso merecido .
Ex.: Há muito tempo não tenho um fim-de-semana .
FIM DE SEMANA – é final de semana .
Ex.: Há muito tempo não vou ao clube a que sempre ia nos fins de semana .
20-) FURTAR / ROUBAR
FURTAR – é tomar e reter os bens de outrem , sem que este o saiba .
Ex.: Furtaram o carro daquele homem quando ele estava no supermercado .
ROUBAR – é tomar os bens de alguém à vista da vítima , ou com violência .
Ex.: Quando ele parou no farol , teve o seu carro roubado por duas pessoas .
21-) INCIPIENTE / INSIPIENTE
INCIPIENTE – é inexperiente , iniciante .
Ex.: Tratava-se de um médico incipiente .
INSIPIENTE – é ignorante , insensato .
Ex.: Devemos sempre perdoar aos insipientes , porque deles será o Reino do Céu...
22-) INDEFESO / INDEFESSO
INDEFESO – é sinônimo de desarmado , inerme .
Ex.: Percebemos que as tropas estavam indefesas .
INDEFESSO – quer dizer incansável .
Ex.: A indefessa busca de um diploma .
23-) LISTA-NEGRA / LISTA NEGRA
LISTA-NEGRA – é uma lista de pessoas cuja atitude é considerada suspeita ou ilegal .
Ex.: Você faz parte de uma lista-negra dos maus alunos da sala .
LISTA NEGRA – é uma lista de cor negra .
24-) MAL – MAU
MAL – pode exercer as seguintes classes gramaticais :
a) é um advérbio de modo , antônimo de bem .
Ex.: Ele foi mal na prova aplicada ontem à noite .
b) é um substantivo , sinônimo de doença , problema .
Ex.: O mal daquele aluno é que ele estuda pouco .
c) é uma conjunção que equivale a assim que .
Ex.: Mal ele entrou na festa , algumas pessoas foram embora .
MAU – é um adjetivo , antônimo de bom .
Ex.: Trata-se de um mau momento para agirmos .
25-) MAL-EDUCADO / MAL EDUCADO
MAL-EDUCADO – é sinônimo de malcriado .
Ex.: Você foi muito mal-educado na festa .
MAL EDUCADO – é que recebeu má educação .
Ex.: Você foi mal educado por seus pais .
26-) MEIA-DÚZIA / MEIA DÚZIA
MEIA-DÚZIA – é um pronome indefinido que equivale a alguns .
Ex.: Por causa de meia-dúzia de bêbados , o bar teve de ficar aberto até as 4 horas .
MEIA DÚZIA – é uma expressão correspondente a seis .
Ex.: Comprei meia dúzia de laranjas .
27-) PERSONALIZAR / PERSONIFICAR
PERSONALIZAR – é dar caráter ou toque pessoal a alguma coisa ou alguém .
Ex.: Eu personalizei os meus papéis de carta .
PERSONIFICAR – tem vários significados :
a) representar ou simbolizar ;
b) atribuir qualidades ou sentimentos humanos ;
c) representar ( qualidade ou abstração ) ; e
d) ser o exemplo perfeito , tipificar .
Ex.: Sua personagem personifica o mal .
28-) RAPAR / RASPAR
RAPAR – é escanhoar , pelar .
Ex.: Ele rapou a barba logo pela manhã .
RASPAR – é gastar pelo atrito , desgastar .
Ex.: Ele raspou as paredes antes de pintá-las.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
História da Língua Portuguesa Parte 2
II-) A HISTÓRIA DA LÍNGUA PORTUGUESA
* O período pré-românico
Os lingüistas têm hoje boas razões para sustentar que um grande número de línguas da
Europa e da Ásia provêm de uma mesma língua de origem : o indo-europeu . Com exceção
do basco, as línguas oficiais dos países da Europa Ocidental pertencem a quatro ramos da
família indo-européia :
o helênico ( grego ) , o românico ( português , italiano , francês , castelhano ) , o germânico
( inglês , alemão ) e o céltico ( irlandês , gaélico ) . Um quinto ramo , o eslavo , engloba
diversas línguas atuais da Europa Oriental .
Por volta do II milênio a. C. , o grande movimento migratório terminou . Um grupo
importante , os celtas , instalou-se na Europa Central , na região correspondente às atuais Boêmia ( República Tcheca ) e Baviera ( Alemanha ) .
Algumas línguas da Europa no II milênio ª. C. :
- povos de línguas indo-européias : germanos , eslavos , celtas , úmbrios , latinos ,
oscos , dórios .
- povos de origens diversas : iberos , aquitanos , lígures , etruscos , sículos .
Os celtas estavam situados inicialmente no centro da Europa , mas entre o
II e o I milênios ª.
Foram ocupando várias outras regiões , até ocupar , no século III a. C. , mais da metade
do continente europeu . Os celtas são conhecidos por diferentes denominações : celtiberos , gauleses , bretões , gálatas , etc.
O período de expansão celta sofreu uma reviravolta e o espaço ocupado por este povo
encolheu . As línguas célticas subsistem ainda em regiões da Irlanda , da Grã-Bretanha e da Bretanha francesa . A língua céltica manteve-se na Galiza ( região ao norte de Portugal , atualmente é parte da Espanha ) até o século VII d. C .
* O período românico
A língua portuguesa , que tem como origem a modalidade falada do Latim , desenvolveu-se na costa oeste da Península Ibérica , incluída na província romana da Lusitânia . A partir de 218 ª. C. e até o século IX , a língua falada na região é o romance , uma variante do latim que constitui um estágio intermediário entre o latim vulgar e as línguas latinas modernas ( português , castelhano , francês , etc . )
De 409 d. C. a 711 , povos de origem germânica instalam-se na Península Ibérica . Surge uma diferenciação regional , com o rompimento definitivo da uniformidade lingüística da península . Algumas influências dessa época persistem no vocabulário do português moderno , em termos como : roubar , guerrear e branco .
A partir de 711 , o árabe é adotado como língua oficial nas regiões conquistadas , mas a popu-
lação continua a falar o romance . Algumas contribuições dessa época ao vocabulário português atual são arroz , alface , alicate e refém .
No período que vai do século IX ao XI , alguns termos portugueses aparecem nos textos em latim , mas o português é essencialmente apenas falado na Lusitânia .
* O galego-português
No século XVI , o galego-português consolida-se como língua falada e escrita na
Lusitânia . Os árabes são expulsos para o sul da península , onde surgem os dialetos
moçárabes , a partir do contato do árabe com o latim . Em galego-português são escritos os primeiros documentos oficiais e os textos literários não latinos da região , como os cancioneiros ( coletâneas de poemas medievais ) :
a) Cancioneiro da Ajuda
Copiado em Portugal em fins do século XIII ou princípios do século XIV . Encontra-se
na Biblioteca da Ajuda , em Lisboa . Das suas 310 cantigas , quase todas são de amor .
b) Cancioneiro da Vaticana
Copiado na Itália em fins do século XV ou princípios do século XVI . Entre as suas 1205
cantigas , há composições de todos os gêneros .
c) Cancioneiro Colocci-Brancutti
Copiado na Itália em fins do século XV ou princípios do século XVI . Descoberto em
1878 ,foi adquirido pela Biblioteca Nacional de Lisboa , onde se encontra desde 1924 .
Entre as suas 1664 cantigas , há composições de todos os gêneros .
A separação entre o galego e o português se iniciará com a independência de Portugal
( 1185 ) e se consolidará com a expulsão dos mouros em 1249 e com a derrota em
1385 dos castelhanos que tentaram anexar o país .
No século XIV surge a prosa literária em português , com a Crônica Geral de
Espanha ( 1344 ) e o Livro de Linhagens , de D. Pedro , conde de Barcelona .
* AS FASES DA LÍNGUA PORTUGUESA
Leite de Vasconcelos divide a história da língua portuguesa em três grandes épocas :
1ª ) A fase pré-histórica
Começa com as origens da língua e se prolonga até o século IX . Do século V ao IX
temos o que se chamou o romance lusitânico .
2ª) A fase proto-histórica
Estende-se do século IX ao XII . Os documentos eram redigidos em latim bárbaro ,
com algumas palavras portuguesas . A língua já era falada , mas não era escrita .
3ª) A fase histórica
Inicia-se no século XII e se estende até os dias atuais . Compreende dois períodos :
a) Período do Português Arcaico : do século XII ao século XVI .
b) Período do Português Moderno : do século XVI até os nossos dias .
* O DOMÍNIO DA LÍNGUA PORTUGUESA
A partir do século XV , a língua portuguesa foi levada às regiões conquistadas . Assim ,
estendeu seu domínio geográfico , que compreende os países , os lugares onde é falada .
Segundo Leite de Vasconcelos , o Português atinge hoje os seguintes domínios :
1º) Português Continental – falado em Portugal .
2º) Português Insulano – falado nas ilhas européias .
3º) Português Ultramarino
a) brasileiro ;
b) indo-português , que compreende os dialetos crioulos de Damão , Diu e Goa ( Ásia ) ;
c) dialeto crioulo de Ceilão ( Ásia ) ;
d) dialeto crioulo de Macau ( Ásia ) ;
e) malaio-português , com os dialetos crioulos de Java , Malaca , Singapura ( Ásia ) ;
f) português de Timor ;
g) dialeto crioulo de Cabo Verde ( África ) ;
h) dialeto crioulo de Guiné ( África ) ;
i) português de Angola , Moçambique , Zanzibar , Mombaça , Melinde e Quiloa ( África ) .
* O PORTUGUÊS ARCAICO
No século XII aparece o primeiro texto inteiramente redigido em Português . É a
“ Cantiga da Ribeirinha “ , poesia escrita por Paio Soares de Taveirós , dedicada a
D. Maria Paes Ribeiro , a Ribeirinha , datada de 1189 . São conhecidos cronistas como
Fernão Lopes , Gomes Eanes Zurara e Rui de Pina .
Em 1290 , D. Dinis , o Rei Trovador , torna obrigatório o uso da língua portuguesa ,e,
funda, em Coimbra a primeira universidade .
Entre os séculos XIV e XVI , a língua portuguesa faz-se presente em várias regiões da Ásia ,África e América , sofrendo influências locais . Com o Renascimento , aumenta
o número de italianismos e palavras eruditas de derivação grega , tornando o português
mais complexo e maleável . O fim desse período de consolidação da língua é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende , em 1516 .
* O PORTUGUÊS MODERNO
No século XVI houve um processo de aperfeiçoamento e enriquecimento lingüísticos ,
e para coroar esse processo , aparece , em 1572 , a obra de Luís de Camões , “ Os Lusíadas “ , marcando a história do nosso idioma com o maior monumento literário e lingüístico .
É ainda no século XVI que se inicia a gramaticalização do nosso idioma com a publicação
no ano de 1536 , da primeira gramática da língua portuguesa , escrita pelo Pe. Fernão de Oliveira . Em 1540 João de Barros escreve a segunda com o mesmo título da primeira .
Nos séculos XIX e XX o vocabulário português recebe novas contribuições : surgem termos
de origem greco-latina para designar os avanços tecnológicos da época
( automóvel , televisão ) e ter mos técnicos em inglês em ramos como as ciências médicas e a informática ( check-up ,software ) .
* O PORTUGUÊS NO MUNDO
O mundo que fala português é avaliado hoje entre 170 e 210 milhões de pessoas.
O português, oitava língua mais falada do planeta , é a língua oficial em sete países : Angola , Brasil , Cabo Verde , Guiné Bissau , Moçambique , Portugal e São Tomé e Príncipe .
O português é uma das línguas oficiais da União Européia desde 1986 , quando da admissão
de Portugal na instituição. Em 1996 foi criada a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ,que reúne os países de língua oficial portuguesa com o propósito de aumentar a cooperação e o intercâmbio cultural entre os países membros e uniformizar e difundir a
língua portuguesa , conseguindo manter até hoje apreciável coesão entre as suas variedades .
No estudo das formas que veio assumir a língua portuguesa na África , Ásia e Oceania ,é ne –
cessário distinguir as variedades crioulas e as não crioulas . O grau de afastamento em
relação à língua mãe é hoje de tal ordem que , mais do que como dialetos , os crioulos
devem ser considerados como línguas derivadas do português .
* O PORTUGUÊS NA EUROPA
Na faixa ocidental da Península Ibérica atualmente utiliza-se o galego e o português . Esta re
gião apresenta um conjunto de falares que podem ser classificados em três grandes grupos :
a) Dialetos galegos ;
b) Dialetos portugueses setentrionais ; e
c) Dialetos portugueses centro-meridionais .
A fronteira entre os dialetos atravessa Portugal de noroeste a sudeste . Merecem
atenção especial algumas regiões do país que apresentam características fonéticas peculiares .
* O PORTUGUÊS NA AMÉRICA
(1) HISTÓRIA DA LÍNGUA NO BRASIL
No início da colonização portuguesa no Brasil , o tupi foi usado como língua geral na colônia ,
ao lado do português , principalmente graças aos padres jesuítas que haviam estudado e difundido a língua . Com a expulsão dos jesuítas em 1759 , o português fixou-se
definitivamente como o idioma do Brasil . Das línguas indígenas , o português herdou
palavras ligadas à flora e à fauna ( abacaxi , mandioca , caju , tatu , piranha ) ,bem como
nomes próprios e geográficos .
Com o fluxo de escravos trazidos da África , a língua falada na colônia recebeu novas con-
tribuições .
Um novo afastamento entre o português brasileiro e o europeu aconteceu quando a
língua falada no Brasil colonial não acompanhou as mudanças ocorridas no falar português durante o século XVIII , mantendo-se fiel à maneira de pronunciar da época da descoberta . Uma reaproximacão ocorreu entre 1808 e 1821 , quando a família real portuguesa
transferiu-se para o Brasil com toda sua corte , ocasionando um reaportuguesamento
intenso da língua falada nas grandes cidades .
Após a independência ( 1822 ) , o português falado no Brasil sofreu influências de imigran-
tes europeus que se instalaram no centro e sul do país .
No século XX , a distância entre as variantes portuguesa e brasileira do português
aumentou em razão dos avanços tecnológicos do período . Certas palavras passaram
a ter formas diferentes nos dois países ( comboio e trem , autocarro e ônibus , pedágio e portagem ) . A abertura conquistada pelos modernistas ( 1922 ) consagrou literariamente a norma brasileira .
(2) ZONAS DIALETAIS BRASILEIRAS
A fala popular brasileira apresenta relativa unidade.A comparação das variedades
dialetais brasileiras com as portuguesas leva à conclusão de que aquelas representam sincretismo destas .
A insuficiência de informações rigorosamente científicas e completas sobre as diferenças
que separam as variedades existentes no Brasil não permite classificá-las em bases
semelhantes às que foram adotadas na classificação dos dialetos do português europeu .
Existe uma proposta de classificação que se baseia em diferenças de pronúncia . Segundo
essa proposta , é possível distinguir dois grupos de dialetos brasileiros : o do Norte e o do Sul . Pode-se distinguir no Norte duas variedades : amazônica e nordestina . E , no Sul , quatro : baiana , fluminense , mineira e sulina .
* O período pré-românico
Os lingüistas têm hoje boas razões para sustentar que um grande número de línguas da
Europa e da Ásia provêm de uma mesma língua de origem : o indo-europeu . Com exceção
do basco, as línguas oficiais dos países da Europa Ocidental pertencem a quatro ramos da
família indo-européia :
o helênico ( grego ) , o românico ( português , italiano , francês , castelhano ) , o germânico
( inglês , alemão ) e o céltico ( irlandês , gaélico ) . Um quinto ramo , o eslavo , engloba
diversas línguas atuais da Europa Oriental .
Por volta do II milênio a. C. , o grande movimento migratório terminou . Um grupo
importante , os celtas , instalou-se na Europa Central , na região correspondente às atuais Boêmia ( República Tcheca ) e Baviera ( Alemanha ) .
Algumas línguas da Europa no II milênio ª. C. :
- povos de línguas indo-européias : germanos , eslavos , celtas , úmbrios , latinos ,
oscos , dórios .
- povos de origens diversas : iberos , aquitanos , lígures , etruscos , sículos .
Os celtas estavam situados inicialmente no centro da Europa , mas entre o
II e o I milênios ª.
Foram ocupando várias outras regiões , até ocupar , no século III a. C. , mais da metade
do continente europeu . Os celtas são conhecidos por diferentes denominações : celtiberos , gauleses , bretões , gálatas , etc.
O período de expansão celta sofreu uma reviravolta e o espaço ocupado por este povo
encolheu . As línguas célticas subsistem ainda em regiões da Irlanda , da Grã-Bretanha e da Bretanha francesa . A língua céltica manteve-se na Galiza ( região ao norte de Portugal , atualmente é parte da Espanha ) até o século VII d. C .
* O período românico
A língua portuguesa , que tem como origem a modalidade falada do Latim , desenvolveu-se na costa oeste da Península Ibérica , incluída na província romana da Lusitânia . A partir de 218 ª. C. e até o século IX , a língua falada na região é o romance , uma variante do latim que constitui um estágio intermediário entre o latim vulgar e as línguas latinas modernas ( português , castelhano , francês , etc . )
De 409 d. C. a 711 , povos de origem germânica instalam-se na Península Ibérica . Surge uma diferenciação regional , com o rompimento definitivo da uniformidade lingüística da península . Algumas influências dessa época persistem no vocabulário do português moderno , em termos como : roubar , guerrear e branco .
A partir de 711 , o árabe é adotado como língua oficial nas regiões conquistadas , mas a popu-
lação continua a falar o romance . Algumas contribuições dessa época ao vocabulário português atual são arroz , alface , alicate e refém .
No período que vai do século IX ao XI , alguns termos portugueses aparecem nos textos em latim , mas o português é essencialmente apenas falado na Lusitânia .
* O galego-português
No século XVI , o galego-português consolida-se como língua falada e escrita na
Lusitânia . Os árabes são expulsos para o sul da península , onde surgem os dialetos
moçárabes , a partir do contato do árabe com o latim . Em galego-português são escritos os primeiros documentos oficiais e os textos literários não latinos da região , como os cancioneiros ( coletâneas de poemas medievais ) :
a) Cancioneiro da Ajuda
Copiado em Portugal em fins do século XIII ou princípios do século XIV . Encontra-se
na Biblioteca da Ajuda , em Lisboa . Das suas 310 cantigas , quase todas são de amor .
b) Cancioneiro da Vaticana
Copiado na Itália em fins do século XV ou princípios do século XVI . Entre as suas 1205
cantigas , há composições de todos os gêneros .
c) Cancioneiro Colocci-Brancutti
Copiado na Itália em fins do século XV ou princípios do século XVI . Descoberto em
1878 ,foi adquirido pela Biblioteca Nacional de Lisboa , onde se encontra desde 1924 .
Entre as suas 1664 cantigas , há composições de todos os gêneros .
A separação entre o galego e o português se iniciará com a independência de Portugal
( 1185 ) e se consolidará com a expulsão dos mouros em 1249 e com a derrota em
1385 dos castelhanos que tentaram anexar o país .
No século XIV surge a prosa literária em português , com a Crônica Geral de
Espanha ( 1344 ) e o Livro de Linhagens , de D. Pedro , conde de Barcelona .
* AS FASES DA LÍNGUA PORTUGUESA
Leite de Vasconcelos divide a história da língua portuguesa em três grandes épocas :
1ª ) A fase pré-histórica
Começa com as origens da língua e se prolonga até o século IX . Do século V ao IX
temos o que se chamou o romance lusitânico .
2ª) A fase proto-histórica
Estende-se do século IX ao XII . Os documentos eram redigidos em latim bárbaro ,
com algumas palavras portuguesas . A língua já era falada , mas não era escrita .
3ª) A fase histórica
Inicia-se no século XII e se estende até os dias atuais . Compreende dois períodos :
a) Período do Português Arcaico : do século XII ao século XVI .
b) Período do Português Moderno : do século XVI até os nossos dias .
* O DOMÍNIO DA LÍNGUA PORTUGUESA
A partir do século XV , a língua portuguesa foi levada às regiões conquistadas . Assim ,
estendeu seu domínio geográfico , que compreende os países , os lugares onde é falada .
Segundo Leite de Vasconcelos , o Português atinge hoje os seguintes domínios :
1º) Português Continental – falado em Portugal .
2º) Português Insulano – falado nas ilhas européias .
3º) Português Ultramarino
a) brasileiro ;
b) indo-português , que compreende os dialetos crioulos de Damão , Diu e Goa ( Ásia ) ;
c) dialeto crioulo de Ceilão ( Ásia ) ;
d) dialeto crioulo de Macau ( Ásia ) ;
e) malaio-português , com os dialetos crioulos de Java , Malaca , Singapura ( Ásia ) ;
f) português de Timor ;
g) dialeto crioulo de Cabo Verde ( África ) ;
h) dialeto crioulo de Guiné ( África ) ;
i) português de Angola , Moçambique , Zanzibar , Mombaça , Melinde e Quiloa ( África ) .
* O PORTUGUÊS ARCAICO
No século XII aparece o primeiro texto inteiramente redigido em Português . É a
“ Cantiga da Ribeirinha “ , poesia escrita por Paio Soares de Taveirós , dedicada a
D. Maria Paes Ribeiro , a Ribeirinha , datada de 1189 . São conhecidos cronistas como
Fernão Lopes , Gomes Eanes Zurara e Rui de Pina .
Em 1290 , D. Dinis , o Rei Trovador , torna obrigatório o uso da língua portuguesa ,e,
funda, em Coimbra a primeira universidade .
Entre os séculos XIV e XVI , a língua portuguesa faz-se presente em várias regiões da Ásia ,África e América , sofrendo influências locais . Com o Renascimento , aumenta
o número de italianismos e palavras eruditas de derivação grega , tornando o português
mais complexo e maleável . O fim desse período de consolidação da língua é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende , em 1516 .
* O PORTUGUÊS MODERNO
No século XVI houve um processo de aperfeiçoamento e enriquecimento lingüísticos ,
e para coroar esse processo , aparece , em 1572 , a obra de Luís de Camões , “ Os Lusíadas “ , marcando a história do nosso idioma com o maior monumento literário e lingüístico .
É ainda no século XVI que se inicia a gramaticalização do nosso idioma com a publicação
no ano de 1536 , da primeira gramática da língua portuguesa , escrita pelo Pe. Fernão de Oliveira . Em 1540 João de Barros escreve a segunda com o mesmo título da primeira .
Nos séculos XIX e XX o vocabulário português recebe novas contribuições : surgem termos
de origem greco-latina para designar os avanços tecnológicos da época
( automóvel , televisão ) e ter mos técnicos em inglês em ramos como as ciências médicas e a informática ( check-up ,software ) .
* O PORTUGUÊS NO MUNDO
O mundo que fala português é avaliado hoje entre 170 e 210 milhões de pessoas.
O português, oitava língua mais falada do planeta , é a língua oficial em sete países : Angola , Brasil , Cabo Verde , Guiné Bissau , Moçambique , Portugal e São Tomé e Príncipe .
O português é uma das línguas oficiais da União Européia desde 1986 , quando da admissão
de Portugal na instituição. Em 1996 foi criada a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ,que reúne os países de língua oficial portuguesa com o propósito de aumentar a cooperação e o intercâmbio cultural entre os países membros e uniformizar e difundir a
língua portuguesa , conseguindo manter até hoje apreciável coesão entre as suas variedades .
No estudo das formas que veio assumir a língua portuguesa na África , Ásia e Oceania ,é ne –
cessário distinguir as variedades crioulas e as não crioulas . O grau de afastamento em
relação à língua mãe é hoje de tal ordem que , mais do que como dialetos , os crioulos
devem ser considerados como línguas derivadas do português .
* O PORTUGUÊS NA EUROPA
Na faixa ocidental da Península Ibérica atualmente utiliza-se o galego e o português . Esta re
gião apresenta um conjunto de falares que podem ser classificados em três grandes grupos :
a) Dialetos galegos ;
b) Dialetos portugueses setentrionais ; e
c) Dialetos portugueses centro-meridionais .
A fronteira entre os dialetos atravessa Portugal de noroeste a sudeste . Merecem
atenção especial algumas regiões do país que apresentam características fonéticas peculiares .
* O PORTUGUÊS NA AMÉRICA
(1) HISTÓRIA DA LÍNGUA NO BRASIL
No início da colonização portuguesa no Brasil , o tupi foi usado como língua geral na colônia ,
ao lado do português , principalmente graças aos padres jesuítas que haviam estudado e difundido a língua . Com a expulsão dos jesuítas em 1759 , o português fixou-se
definitivamente como o idioma do Brasil . Das línguas indígenas , o português herdou
palavras ligadas à flora e à fauna ( abacaxi , mandioca , caju , tatu , piranha ) ,bem como
nomes próprios e geográficos .
Com o fluxo de escravos trazidos da África , a língua falada na colônia recebeu novas con-
tribuições .
Um novo afastamento entre o português brasileiro e o europeu aconteceu quando a
língua falada no Brasil colonial não acompanhou as mudanças ocorridas no falar português durante o século XVIII , mantendo-se fiel à maneira de pronunciar da época da descoberta . Uma reaproximacão ocorreu entre 1808 e 1821 , quando a família real portuguesa
transferiu-se para o Brasil com toda sua corte , ocasionando um reaportuguesamento
intenso da língua falada nas grandes cidades .
Após a independência ( 1822 ) , o português falado no Brasil sofreu influências de imigran-
tes europeus que se instalaram no centro e sul do país .
No século XX , a distância entre as variantes portuguesa e brasileira do português
aumentou em razão dos avanços tecnológicos do período . Certas palavras passaram
a ter formas diferentes nos dois países ( comboio e trem , autocarro e ônibus , pedágio e portagem ) . A abertura conquistada pelos modernistas ( 1922 ) consagrou literariamente a norma brasileira .
(2) ZONAS DIALETAIS BRASILEIRAS
A fala popular brasileira apresenta relativa unidade.A comparação das variedades
dialetais brasileiras com as portuguesas leva à conclusão de que aquelas representam sincretismo destas .
A insuficiência de informações rigorosamente científicas e completas sobre as diferenças
que separam as variedades existentes no Brasil não permite classificá-las em bases
semelhantes às que foram adotadas na classificação dos dialetos do português europeu .
Existe uma proposta de classificação que se baseia em diferenças de pronúncia . Segundo
essa proposta , é possível distinguir dois grupos de dialetos brasileiros : o do Norte e o do Sul . Pode-se distinguir no Norte duas variedades : amazônica e nordestina . E , no Sul , quatro : baiana , fluminense , mineira e sulina .
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
História da Língua portuguesa Parte 1
A FORMAÇÃO HISTÓRICA DA LÍNGUA PORTUGUESA
1ª Parte
I-) O SURGIMENTO DA LÍNGUA PORTUGUESA
O surgimento da Língua Portuguesa está ligado ao processo de constituição da Nação Portuguesa.
Na região central da atual Itália , o Lácio , vivia um povo que falava latim . Na mesma região foi fundada a cidade de Roma . Os romanos chegaram a possuir um grande império , o Império Romano, sendo que a cada conquista impunham aos vencidos seus hábitos , instituições , os padrões de vida e a língua .
Existem duas modalidades do latim :
a) O latim vulgar ( = sermo vulgaris )
Era somente falado . Era a língua do cotidiano usada pelo povo analfabeto da região central da atual Itália e das províncias.Era a língua coloquial , viva , sujeita a alterações freqüentes . Era a modalidade imposta aos povos vencidos , o que resultou no surgimento dos diferentes romanços e posteriormente nas diferentes línguas neolatinas .
b) O latim clássico ( = sermo urbanus )
Era a língua falada e escrita , apurada , artificial , rígida , era o instrumento literário usado pe-los grandes poetas , prosadores , filósofos , retóricos ...
No século III a. C. , os romanos invadiram a região da península ibérica , dando início ao processo de romanização da península . No decorrer dos séculos , os romanos abriram estradas ligando a colônia à metrópole , fundaram escolas , organizaram o comércio , levaram o cristianismo aos nativos... Ao latim foram anexadas palavras e expressões das línguas dos nativos.
No século V da era cristã , a península sofreu invasão de povos bárbaros germânicos . Os novos conquistadores aceitaram a cultura e língua peninsular . Influenciaram a língua local acrescentando a ela novos vocábulos e favorecendo sua dialetação , já que cada povo bárbaro falava o latim de uma forma diferente .
Com a queda do Império Romano , as escolas foram fechadas e a nobreza desbancada , não hávia mais os elementos unificadores da língua . O latim ficou livre para modificar-se .
No século VIII a península foi tomada pelos árabes , sendo mais intenso o domínio no sul da península . O árabe foi falado ao mesmo tempo que o latim . As influências lingüísticas árabes se limi-tam ao léxico no qual os empréstimos são conhecidos pela sílaba inicial al- correspondente ao artigo árabe : alface , álcool , álgebra , alfândega... Outros : bairro , berinjela , café , quintal , xarope.
Os cristãos organizaram um movimento de expulsão dos árabes . A guerra travada foi chamada de “ santa “ ou “ cruzada “ . Isso ocorreu por volta do século XI . No século XV os árabes estavam completamente expulsos da península .
Durante a Guerra Santa , vários nobres lutaram para ajudar D. Afonso VI . Um deles , D. Henrique , destacou-se pelos serviços prestados à coroa e por recompensa recebeu a mão de D. Tarejá , filha do rei . Como dote recebeu o Condado Portucalense . Continuou lutando contra os árabes e anexando novos territórios ao seu condado que foi tomando o contorno do que hoje é Portugal .
D. Afonso Henriques funda a Nação Portuguesa que fica independente em 1143 . A língua falada nessa parte ocidental da Península era o galego-português que com o tempo foi diferenciando-se . Em 1290 , o rei D. Diniz funda a Escola de Direitos Gerais e obriga em decreto o uso oficial da Língua Portuguesa .
I-) O SURGIMENTO DA LÍNGUA PORTUGUESA
O surgimento da Língua Portuguesa está ligado ao processo de constituição da Nação Portuguesa.
Na região central da atual Itália , o Lácio , vivia um povo que falava latim . Na mesma região foi fundada a cidade de Roma . Os romanos chegaram a possuir um grande império , o Império Romano, sendo que a cada conquista impunham aos vencidos seus hábitos , instituições , os padrões de vida e a língua .
Existem duas modalidades do latim :
a) O latim vulgar ( = sermo vulgaris )
Era somente falado . Era a língua do cotidiano usada pelo povo analfabeto da região central da atual Itália e das províncias.Era a língua coloquial , viva , sujeita a alterações freqüentes . Era a modalidade imposta aos povos vencidos , o que resultou no surgimento dos diferentes romanços e posteriormente nas diferentes línguas neolatinas .
b) O latim clássico ( = sermo urbanus )
Era a língua falada e escrita , apurada , artificial , rígida , era o instrumento literário usado pe-los grandes poetas , prosadores , filósofos , retóricos ...
No século III a. C. , os romanos invadiram a região da península ibérica , dando início ao processo de romanização da península . No decorrer dos séculos , os romanos abriram estradas ligando a colônia à metrópole , fundaram escolas , organizaram o comércio , levaram o cristianismo aos nativos... Ao latim foram anexadas palavras e expressões das línguas dos nativos.
No século V da era cristã , a península sofreu invasão de povos bárbaros germânicos . Os novos conquistadores aceitaram a cultura e língua peninsular . Influenciaram a língua local acrescentando a ela novos vocábulos e favorecendo sua dialetação , já que cada povo bárbaro falava o latim de uma forma diferente .
Com a queda do Império Romano , as escolas foram fechadas e a nobreza desbancada , não hávia mais os elementos unificadores da língua . O latim ficou livre para modificar-se .
No século VIII a península foi tomada pelos árabes , sendo mais intenso o domínio no sul da península . O árabe foi falado ao mesmo tempo que o latim . As influências lingüísticas árabes se limi-tam ao léxico no qual os empréstimos são conhecidos pela sílaba inicial al- correspondente ao artigo árabe : alface , álcool , álgebra , alfândega... Outros : bairro , berinjela , café , quintal , xarope.
Os cristãos organizaram um movimento de expulsão dos árabes . A guerra travada foi chamada de “ santa “ ou “ cruzada “ . Isso ocorreu por volta do século XI . No século XV os árabes estavam completamente expulsos da península .
Durante a Guerra Santa , vários nobres lutaram para ajudar D. Afonso VI . Um deles , D. Henrique , destacou-se pelos serviços prestados à coroa e por recompensa recebeu a mão de D. Tarejá , filha do rei . Como dote recebeu o Condado Portucalense . Continuou lutando contra os árabes e anexando novos territórios ao seu condado que foi tomando o contorno do que hoje é Portugal .
D. Afonso Henriques funda a Nação Portuguesa que fica independente em 1143 . A língua falada nessa parte ocidental da Península era o galego-português que com o tempo foi diferenciando-se . Em 1290 , o rei D. Diniz funda a Escola de Direitos Gerais e obriga em decreto o uso oficial da Língua Portuguesa .
O seu santo nome
Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente,
não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo
essa palavra que é toda sigilo e nudez,
perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.
Carlos Drummond de Andrade
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente,
não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo
essa palavra que é toda sigilo e nudez,
perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.
Carlos Drummond de Andrade
A farta entrega
Amo a farta entrega do teu verbo amar ao meu
Amo quando me enlaças em segredo
A conjugar no olhar
Os mesmos modo e tempo tão freqüentes
Amo o teu verbo, a tua boca que o diz,
E a que não o diz? Amo-a com a mesma intensidade
Com o mesmo grito de alma
Com o qual me derramo no mar de teu abismo
E se às vezes, amor, eu desperto como se não te visse
E digo coisas tuas que não conheces
Não seria, apenas, um feitio a mais do sentimento:
Dar-te outra forma, cheiro e gosto
Diogo Poeta
Amo quando me enlaças em segredo
A conjugar no olhar
Os mesmos modo e tempo tão freqüentes
Amo o teu verbo, a tua boca que o diz,
E a que não o diz? Amo-a com a mesma intensidade
Com o mesmo grito de alma
Com o qual me derramo no mar de teu abismo
E se às vezes, amor, eu desperto como se não te visse
E digo coisas tuas que não conheces
Não seria, apenas, um feitio a mais do sentimento:
Dar-te outra forma, cheiro e gosto
Diogo Poeta
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Luta In: Definições
Quem persiste em busca de algo
alcança a vitória.
Quem desiste no meio da luta
Aceita a derrota.
alcança a vitória.
Quem desiste no meio da luta
Aceita a derrota.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Continue assim
Diz a voz trêmula: “Continue assim”, acato um conselho e não uma ordem.
O orgulho brota nas costas do homem, cega-o num processo de dependência, droga radioativa que circula nas veias da terra e aflora assaltando a vida. Lá fora, as crianças rodopiam de mãos dadas, uma pequena me encara e rodopia, encara e rodopia, depois corre para o escorregador feito um jato, desce a gargalhar, enche a mão de areia que se esvai entre seus pequenos dedos desajustados, iguais aos de um europeu pragmático que vi a pouco num famoso restaurante japonês, tentando pela primeira vez, comer com os pauzinhos, denomino de plano engenhoso. Lá, ela vai, agora, se distrai ao ver um pássaro azul pousar num galho frouxo, quer convencer-me a qualquer custo a criança, quanto orgulho! Posso vê-la vangloriando-se por brincar com o mundo, influenciado lembro-me da pequenez, serei mais exato: lembro-me da ingenuidade, da ignorância...
Na infância, o amor próprio exagerado manifesta-se brincando, lisonjeado, sabe desde o começo dos tempos que a época propícia é aquela, melhor não há, pois lhe permite invadir cativando.
Idéia tola de que aquilo que capto marca a falta de razão, totalmente o contrário, a voz, a tremer meus órgãos, aconselha por meio de duas palavras impetuosas, graves, acolho-as prazeroso e convencido de que me infiltro bem na sociedade, diferentemente de um louco, por isso respeito a voz que diz “Continue assim”. E continuo andando livre como uma águia sobrevoando presas, combatendo orgulhos, machucando com picadas ferozes, eu a secar poços de corpos e de espíritos, para que, assim, eu possa arrancar a falsa ilusão de que a existência vale alguma coisa.
“Deus está em ti!” Quanta pretensão! Tu és filho do pai e andas pela casa do pai, mas ao invés de colocar-se em seu lugar, vasculhas o mundo como uma mulher ciumenta. Dono de tudo, assim é o animal que pensa e que já começa errante por se achar melhor só porque julga saber o que levam suas ações, liga coisas a coisas que nem compreende e manuseia teorias circenses apoiado numa metafísica orgulhosa que espelha toda a natureza humana.
Sou um inimigo dos orgulhosos, sou um invejoso, só um invejoso para combater o orgulho dos outros, quanto aos meus, só posso esforçar-me a desprezá-los usando de um estado depressivo, profundo, caótico, mas não ligo, a dor dos pensamentos fortalece o corpo tal qual a dor física, por fim, sigo forte como um burro que empaca, conformado ouço a frase: “Continue assim” concluindo que o melhor é empacar de maneira mais imutável possível, para evitar qualquer pretensão.
Diogo Poeta
O orgulho brota nas costas do homem, cega-o num processo de dependência, droga radioativa que circula nas veias da terra e aflora assaltando a vida. Lá fora, as crianças rodopiam de mãos dadas, uma pequena me encara e rodopia, encara e rodopia, depois corre para o escorregador feito um jato, desce a gargalhar, enche a mão de areia que se esvai entre seus pequenos dedos desajustados, iguais aos de um europeu pragmático que vi a pouco num famoso restaurante japonês, tentando pela primeira vez, comer com os pauzinhos, denomino de plano engenhoso. Lá, ela vai, agora, se distrai ao ver um pássaro azul pousar num galho frouxo, quer convencer-me a qualquer custo a criança, quanto orgulho! Posso vê-la vangloriando-se por brincar com o mundo, influenciado lembro-me da pequenez, serei mais exato: lembro-me da ingenuidade, da ignorância...
Na infância, o amor próprio exagerado manifesta-se brincando, lisonjeado, sabe desde o começo dos tempos que a época propícia é aquela, melhor não há, pois lhe permite invadir cativando.
Idéia tola de que aquilo que capto marca a falta de razão, totalmente o contrário, a voz, a tremer meus órgãos, aconselha por meio de duas palavras impetuosas, graves, acolho-as prazeroso e convencido de que me infiltro bem na sociedade, diferentemente de um louco, por isso respeito a voz que diz “Continue assim”. E continuo andando livre como uma águia sobrevoando presas, combatendo orgulhos, machucando com picadas ferozes, eu a secar poços de corpos e de espíritos, para que, assim, eu possa arrancar a falsa ilusão de que a existência vale alguma coisa.
“Deus está em ti!” Quanta pretensão! Tu és filho do pai e andas pela casa do pai, mas ao invés de colocar-se em seu lugar, vasculhas o mundo como uma mulher ciumenta. Dono de tudo, assim é o animal que pensa e que já começa errante por se achar melhor só porque julga saber o que levam suas ações, liga coisas a coisas que nem compreende e manuseia teorias circenses apoiado numa metafísica orgulhosa que espelha toda a natureza humana.
Sou um inimigo dos orgulhosos, sou um invejoso, só um invejoso para combater o orgulho dos outros, quanto aos meus, só posso esforçar-me a desprezá-los usando de um estado depressivo, profundo, caótico, mas não ligo, a dor dos pensamentos fortalece o corpo tal qual a dor física, por fim, sigo forte como um burro que empaca, conformado ouço a frase: “Continue assim” concluindo que o melhor é empacar de maneira mais imutável possível, para evitar qualquer pretensão.
Diogo Poeta
Na dúvida, coloque açúcar
Na dúvida, coloque açúcar
Depois minta, traia, machuque
Na dúvida, coloque açúcar
E deixe que antes da hora morram as flores
E sobre teus sonhos vigie-os, castre-os
Seja a mais pura crueldade
Ria da desgraça alheia e da tua
Tire uma foto, pinte um belo quadro
Diga que é arte
Eles vão te entender!
Mas não se esqueça do açúcar
O Santo docinho da tarde! O casamenteiro...
De lamber os beiços
De falar de boca cheia
As malícias tantas que te custam repressões!
Sem o açúcar nada vale!
Seríamos sem ele; demônios amargos,
Pessoas doentes, revoltadas
De sangue ralo, pele flácida
Sem o açúcar nada vale!
Diogo Poeta
Depois minta, traia, machuque
Na dúvida, coloque açúcar
E deixe que antes da hora morram as flores
E sobre teus sonhos vigie-os, castre-os
Seja a mais pura crueldade
Ria da desgraça alheia e da tua
Tire uma foto, pinte um belo quadro
Diga que é arte
Eles vão te entender!
Mas não se esqueça do açúcar
O Santo docinho da tarde! O casamenteiro...
De lamber os beiços
De falar de boca cheia
As malícias tantas que te custam repressões!
Sem o açúcar nada vale!
Seríamos sem ele; demônios amargos,
Pessoas doentes, revoltadas
De sangue ralo, pele flácida
Sem o açúcar nada vale!
Diogo Poeta
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Um gozo novo
Descobri um gozo novo, vindo do sertãozinho, perto da casa da Lourdes, temperado com pimenta do reino e uma baita dose de folhas de loro, sem levar em conta a exuberância do seu fértil, labiríntico e estreito sexo, que nos meus banhos fantasio enquanto me ensabôo.
Seríamos mais felizes se nos banhássemos mais. Já pertencem ao conhecimento científico os benefícios que uma ducha proporciona ao bom humor. Tomo banho constantemente não por questões de higiene, antes...
Antes de todo o céu se abrir, mais uma vez, forte e luminoso, e dele sair a mulher que lhe roubara um pedaço feito um filho que tomou da mãe uma parte do útero, liberta da feiúra da idade das mulheres daqui, terra de meninas pobres de si mesmas, incapazes de escapar da futilidade que elas próprias cultivam com regadas pesadas do que vier a ser moda, daquilo que vier a ser o bastante para se esconderem no fundo, confundindo-se com qualquer coisa à la mode “Princesa do Pop”, princípios de uma vida vaga, remadas para um país de onde haverá ouro, abdicando de tantas coisas para manter o arco, elas se machucam da matéria que não brota e dos sonhos que não duram.
Descobri nessa mulher criada no sertão que mora hoje perto da casa da Lourdes com seu tempero quente e heróico, um gozo novo. Hoje ela vem para o banho...
Seríamos mais felizes se nos banhássemos mais. Já pertencem ao conhecimento científico os benefícios que uma ducha proporciona ao bom humor. Tomo banho constantemente não por questões de higiene, antes...
Antes de todo o céu se abrir, mais uma vez, forte e luminoso, e dele sair a mulher que lhe roubara um pedaço feito um filho que tomou da mãe uma parte do útero, liberta da feiúra da idade das mulheres daqui, terra de meninas pobres de si mesmas, incapazes de escapar da futilidade que elas próprias cultivam com regadas pesadas do que vier a ser moda, daquilo que vier a ser o bastante para se esconderem no fundo, confundindo-se com qualquer coisa à la mode “Princesa do Pop”, princípios de uma vida vaga, remadas para um país de onde haverá ouro, abdicando de tantas coisas para manter o arco, elas se machucam da matéria que não brota e dos sonhos que não duram.
Descobri nessa mulher criada no sertão que mora hoje perto da casa da Lourdes com seu tempero quente e heróico, um gozo novo. Hoje ela vem para o banho...
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
COLAGEM
Colagem de Textos
Voltaire / William James / Victor Hugo / Dante Milano
Temos um grande assunto a tratar aqui:
a felicidade!......
ou, ao menos, ser o menos infeliz que se possa neste mundo.
Eu não poderia suportar que me dissessem que quanto mais se pensa, mais
se é infeliz. Isso vale em relação às pessoas que pensam mal. Não estou
falando das pessoas que pensam mal dos outros, o que pode ser divertido,
mas... Tragicamente divertido!
Falo daqueles que pensam de maneira errada, dos que rearranjam os seus preconceitos e julgam estar... pensando! Estes, sim, merecem compaixão, porque têm uma doença da alma, e toda doença é um estado triste. Infeliz.
Amo as pessoas que pensam de forma correta, mesmo aquelas que pensam de maneira diferente de mim.
Pensar, meus amigos, é um ato que põe em dúvida a estrutura de tudo!
Voltaire / William James / Victor Hugo / Dante Milano
Temos um grande assunto a tratar aqui:
a felicidade!......
ou, ao menos, ser o menos infeliz que se possa neste mundo.
Eu não poderia suportar que me dissessem que quanto mais se pensa, mais
se é infeliz. Isso vale em relação às pessoas que pensam mal. Não estou
falando das pessoas que pensam mal dos outros, o que pode ser divertido,
mas... Tragicamente divertido!
Falo daqueles que pensam de maneira errada, dos que rearranjam os seus preconceitos e julgam estar... pensando! Estes, sim, merecem compaixão, porque têm uma doença da alma, e toda doença é um estado triste. Infeliz.
Amo as pessoas que pensam de forma correta, mesmo aquelas que pensam de maneira diferente de mim.
Pensar, meus amigos, é um ato que põe em dúvida a estrutura de tudo!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Doce segredo
Circundou-me a fronte uma criatura alada
Espalhou-se como o doce perfume do jasmim
Surgiu dos céus em noite enluarada
Para dizer segredos sobre mim
Depois disso era bela a alvorada;
Surgiu uma luz e achei – Não haverá fim!
Ledo engano, corpo e alma voltaram à madrugada,
Ruíram então como torres de marfim!
Hoje, as aventuras que guardo na lembrança,
Que o peito enchiam de alegria, outrora,
Foram-se, perderam-se na distância!
Em uma prece calma, agora, choro, pranteio meus ais,
Mas demora o vento responder à alma que chora,
Não há esperanças, elas não voltam jamais.
Ynácio Loyola Lima
Espalhou-se como o doce perfume do jasmim
Surgiu dos céus em noite enluarada
Para dizer segredos sobre mim
Depois disso era bela a alvorada;
Surgiu uma luz e achei – Não haverá fim!
Ledo engano, corpo e alma voltaram à madrugada,
Ruíram então como torres de marfim!
Hoje, as aventuras que guardo na lembrança,
Que o peito enchiam de alegria, outrora,
Foram-se, perderam-se na distância!
Em uma prece calma, agora, choro, pranteio meus ais,
Mas demora o vento responder à alma que chora,
Não há esperanças, elas não voltam jamais.
Ynácio Loyola Lima
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