quarta-feira, 14 de maio de 2008

Despir-se

Da última vez em que meus olhos se despiram
O vento lhe beijava a saia rente a coxa
Como para adivinhar a força dos seus quadris

Da última vez em que meus olhos se despiram
O seu andar era frágil como um pingo de neve
Porém quente como uma cinza fugidia

Da última vez em que meus olhos se despiram
Ela não era mais do que uma mulher
Ou deusa esculpida em bronze

Da última vez em que meus olhos se despiram
Ela os despiu também como se deles ela saísse
Mordendo-os com a minha boca num canibalismo ardente

Diogo Poeta

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