sábado, 21 de junho de 2014

Noite Fria de inverno ...

Noite fria de inverno, pensamentos e sensações povoam meu ser, a alma se aquece em lembranças, hidrata-se em lágrimas já caídas, e que esperam secar-se pelo tempo, mas ainda a ausência machuca e dilacera este tão cansado corpo.

Noite fria de inverno que acalenta a escuridão da alma, que caminha nas madrugadas a procura do prazer terreno, para talvez em um corpo novo esquecer suas agruras mundanas, que ainda sente uma dor encrustada em seu peito morto.

Noite fria de inverno que adentrarei em seu quarto com ou sem sua permissão para buscar em seu corpo o meu desejo noturno, de beber seu sangue quente como o mais delicioso dos licores, uma oferenda única e derradeira ao nosso amor sombrio... porém eterno!

Noite fria de inverno, deitar-me-ei em seu colo gelado e cinzento já sem vida humana, mas com a vida eterna dos seres noturnos e apreciarei o alvorecer do dia em nossa última morada, que fará inveja a todos seres celestiais medíocres, que dominados por uma força ignóbil e mesquinha dizem, mas jamais saberão... o que é amor!


Wladimir Stern     21/06/14

3 comentários:

Diogo disse...

Um desejo que adentra o quarto, com ou sem consentimento, nada mais é do que o amor, voraz sempre, incontrolável. Nem mesmo a morte pode matar essa coisa tão mundana, coisa que se apega a algo tão frio e cinza com a mesma intensidade e verdade caso o algo apegado fosse quente e terno. Obrigado por esse poema, amigo.

test disse...

Obrigado pela generosidade de suas palavras, uma grande honra tê-lo como amigo e leitor!

Grande abraço!

AFerrer disse...

Fechei meus olhos e viajei me imaginando em cada trecho deste poema há 34 anos atras....
Inesplicavel desejo....
Parabéns.

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