Noite fria de inverno, pensamentos e sensações povoam meu
ser, a alma se aquece em lembranças, hidrata-se em lágrimas já caídas, e que
esperam secar-se pelo tempo, mas ainda a ausência machuca e dilacera este tão
cansado corpo.
Noite fria de inverno que acalenta a escuridão da alma, que
caminha nas madrugadas a procura do prazer terreno, para talvez em um corpo
novo esquecer suas agruras mundanas, que ainda sente uma dor encrustada em seu
peito morto.
Noite fria de inverno que adentrarei em seu quarto com ou
sem sua permissão para buscar em seu corpo o meu desejo noturno, de beber seu
sangue quente como o mais delicioso dos licores, uma oferenda única e
derradeira ao nosso amor sombrio... porém eterno!
Noite fria de inverno, deitar-me-ei em seu colo gelado e
cinzento já sem vida humana, mas com a vida eterna dos seres noturnos e
apreciarei o alvorecer do dia em nossa última morada, que fará inveja a todos
seres celestiais medíocres, que dominados por uma força ignóbil e mesquinha dizem,
mas jamais saberão... o que é amor!
Wladimir Stern 21/06/14
3 comentários:
Um desejo que adentra o quarto, com ou sem consentimento, nada mais é do que o amor, voraz sempre, incontrolável. Nem mesmo a morte pode matar essa coisa tão mundana, coisa que se apega a algo tão frio e cinza com a mesma intensidade e verdade caso o algo apegado fosse quente e terno. Obrigado por esse poema, amigo.
Obrigado pela generosidade de suas palavras, uma grande honra tê-lo como amigo e leitor!
Grande abraço!
Fechei meus olhos e viajei me imaginando em cada trecho deste poema há 34 anos atras....
Inesplicavel desejo....
Parabéns.
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