
A dança dos devaneios nas noites Calam.
A alma no corpo
Sente pelas janelas as dores,
E passam tempos sem conforto.
Mas ainda preso
A este corpo devasso
De puro desprezo,
Estou desistindo pelo cansaço,
Mas ainda as coréias
Não esqueço. Tuas mãos não mais sinto,
Perco-me nas idéias.
Minha alma agora é só uma nebulosa
Que age como que por instinto
E gira com as forças do universo, prodigiosa.
Ynácio Loyola Lima
Ynácio Loyola Lima
Um comentário:
Segundo o dicionário HOUAISS, a segunda acepção da palavra poeta é a seguinte: “aquele que é dado a devaneios, fantasias”. Seu poema, caro Walter, é um ótimo exemplo disso, a dança dos devaneios ocupam lugar significativo no ser do eu lírico, o conflito entre o corpo e a alma se dá graças a essa dança que embala, ainda, a falta de alguém.
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